EUA ampliam operações não tripuladas no Iêmen

Comportamentos suspeitos passam a ser o suficiente para que ataques com drones sejam autorizados

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h02

Em meio a acusações de estar violando as leis do próprio país, o governo Barack Obama decidiu ampliar as operações com aeronaves não tripuladas contra a Al-Qaeda da Península Arábica (AQAP), que possui sua base no Iêmen. Desde ontem, um comportamento suspeito é suficiente para as forças americanas ordenarem um ataque com drones no país.

Antes de aprovar essas operações, já aplicadas em larga escala na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, os EUA autorizavam ataques no Iêmen somente se tivessem a informação de que algum líder da AQAP estivesse no local a ser bombardeado.

Críticos advertem que civis ou militantes que não representam nenhuma ameaça aos americanos poderão ser mortos. No caso do Iêmen, há uma dificuldade maior em distinguir terroristas, pois quase todos os homens do país circulam com armas, entre elas fuzis.

Além disso, segundo afirmou o professor de direito Bruce Ackerman, de Yale, em um artigo no Washington Post, com essa medida, Obama "viola barreiras legais erguidas pelo Congresso para impedir a Casa Branca de levar adiante uma guerra sem fim contra o terrorismo".

O presidente também enfrenta problemas para explicar a ação que matou Anwar al-Awlaki, um dos líderes da AQAP. Por ser cidadão americano, de acordo com alguns juristas, ele não poderia ter sido morto sem um julgamento.

Nos últimos meses, a AQAP voltou a crescer no Iêmen, pois o governo de Abed Rabbo Mansour Hadi ainda não consolidou seu controle desde que Ali Abdullah Saleh concordou em deixar a presidência em seu favor, após 33 anos no cargo. Além da AQAP, o Iêmen enfrenta separatistas no sul e levantes do grupo rebelde houthi no norte do país.

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