Jim Huylebroek/The New York Times
Jim Huylebroek/The New York Times

EUA ampliam programa de refugiados para receber cidadãos afegãos

Com aumento da violência provocada pelo Taleban, Departamento de Estado aumenta possibilidades de imigração, principalmente para pessoas que colaboraram com militares americanos no país

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2021 | 13h00

WASHINGTON - Com o avanço da ofensiva do Taleban contra regiões sob controle do governo do Afeganistão, os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira, 2, que vão receber milhares de refugiados do país. A principal preocupação é com cidadãos afegãos que auxiliaram forças militares americanas durante quase duas décadas de guerra.

Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que os critérios de elegibilidade do programa de refugiados americano serão ampliados. "À luz do aumento dos níveis de violência por parte dos talebans, o governo americano trabalha para oferecer a alguns afegãos, incluindo aqueles que trabalharam com os Estados Unidos, a oportunidade de se beneficiarem dos programas de admissão de refugiados", informou.

Até o momento, cerca de 20 mil afegãos se inscreveram no programa voltado a intérpretes que trabalharam com as forças americanas.

"Esta designação amplia a oportunidade para milhares de afegãos e seus familiares imediatos, que podem estar em risco devido à sua proximidade com os Estados Unidos, de se instalarem de forma permanente", acrescenta a nota.

Ainda de acordo com o Departamento de Estado, os critérios de seleção serão expandidos para incluir afegãos que trabalharam em ONGs e em veículos de comunicação americanos, assim como em projetos financiados por Washington. Além dos intérpretes, afegãos que trabalharam em outras funções nas forças militares americanas, e não foram selecionados anteriormente, agora poderão ser aceitos como refugiados nos Estados Unidos.

Por todo o Afeganistão, um êxodo em massa vem ocorrendo à medida que o Taleban prossegue com sua brutal campanha militar, tendo capturado mais da metade dos mais de 400 distritos do país, segundo alguns cálculos. E com isso o temor de um retorno a um governo extremista cruel ou de uma guerra civil sangrenta entre as milícias etnicamente alinhadas toma conta das pessoas.

Até agora neste ano, cerca de 330 mil afegãos se deslocaram para outras áreas do país, e mais da metade abandonou suas casas desde que os Estados Unidos começaram a retirar seus soldados do país, segundo as Nações Unidas.

Muitos foram para acampamentos improvisados ou se acotovelaram em casas de parentes em cidades, os últimos nichos sob controle do governo em muitas províncias. Outros milhares tentam obter passaportes e vistos pretendendo deixar totalmente o país. Outros se abarrotam em picapes de contrabandistas num recurso desesperado para atravessar ilegalmente a fronteira.

Nas últimas semanas, o número de afegãos atravessando ilegalmente aumentou entre 30% a 40%, comparado com o período antes de as tropas estrangeiras começarem a sair do país, em maio. Agora, pelo menos 30 mil pessoas fogem do Afeganistão a cada semana.

A ONU teme um número "sem precedentes" de civis mortos ou feridos no país se os combates continuarem. Em seu relatório sobre as vítimas civis no primeiro semestre de 2021, a missão da ONU no Afeganistão (Unama) prevê para este ano o maior número desde 2009, quando teve início esse balanço anual. "As baixas de civis no Afeganistão no primeiro semestre de 2021 atingiram níveis recordes com um aumento particularmente brutal de mortes e feridos desde maio", assegura a Unama.

Ao todo, 1.659 civis perderam a vida e 3.254 ficaram feridos entre janeiro e junho, um aumento de 47% em relação ao mesmo período de 2020. O número de vítimas foi especialmente alto em maio e junho: 783 civis mortos e 1.609 feridos. E quase metade das vítimas no primeiro semestre são mulheres e crianças./ AFP e NYT

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