EUA analisam autenticidade de mensagens

Washington afirma que, até agora, veracidade das telegramas divulgados ''não pode ser garantida''

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

Os Estados Unidos não confirmaram a autenticidade dos documentos sobre as negociações de paz entre palestinos e israelenses divulgados em conjunto pela rede de TV Al-Jazira, do Catar, e o jornal The Guardian, da Grã-Bretanha. A afirmação foi feita pelo porta-voz do Departamento de Estado americano, P.J. Crowley.

"O governo dos EUA está revisando os supostos documentos palestinos divulgados pela Al-Jazira. Não podemos garantir a veracidade", escreveu Crowley na página do Departamento de Estado no Twitter.

Logo após, o porta-voz publicou que os americanos "mantêm o foco na solução de dois Estados". "Continuaremos trabalhando com os dois lados para reduzir as diferenças nos principais tópicos", escreveu.

Na avaliação de analistas, a divulgação dos documentos demonstra que os palestinos estão dispostos a fazer concessões nas negociações com Israel. E, pelo menos de acordo com os documentos publicados, os israelenses estavam reticentes em ceder nos pontos mais importantes para os palestinos.

"Os documentos acabam com o mito criado pelo ex-presidente Bill Clinton de que os palestinos não foram parceiros nas negociações de Camp David (em 2000) e deveriam ser considerados culpados pela falta de um acordo para a solução de dois Estados", escreveu Amjad Atallah, da New American Foundation, na revista Foreign Policy.

Segundo Rashid Khalidi, professor de História do Oriente Médio da Universidade Columbia, de Nova York, "o mais importante não foi apenas (divulgar) o grau de concessões dos palestinos, mas também como os israelenses não estavam dispostos a ceder".

Já Martin Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel e hoje no Brookings Institute, de Washington, discordou e disse à CNN que, "do ponto de vista dos negociadores, não há nada de novo". "Os palestinos fizeram concessões em Camp David e isso foi apresentado por Bill Clinton."

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