Bloomberg/Carlos Becerra
Bloomberg/Carlos Becerra

EUA analisam colocar Venezuela na lista do terror

Três senadores republicanos pedem que Trump inclua país na relação, o que facilitaria aplicação de novas sanções ao chavismo 

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2018 | 21h32

WASHINGTON - Três senadores americanos enviaram nesta sexta-feira, 28, uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, pedindo para o governo de Donald Trump declarar a Venezuela como país “patrocinador do terrorismo”. A designação poderia ampliar o leque de sanções aplicadas contra o chavismo. O pedido foi feito pelos senadores republicanos Marco Rubio, John Cornyn e Cory Gardner.

No documento, eles explicam que recentes relatórios americanos sobre terrorismo revelam supostos vínculos entre o regime do presidente, Nicolás Maduro, com organizações terroristas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia, e o Hezbollah, do Líbano.

“Além disso, o Departamento do Tesouro descobriu, em virtude da Lei de Designação de Narcotraficantes Estrangeiros, que o regime de (Nicolás) Maduro, na Venezuela, não tomou medidas contra altos funcionários do governo venezuelano, que estão sob sanções dos Estados Unidos”, afirma a carta.

As sanções contra esses altos funcionários venezuelanos, segundo o documento, foram tomadas em razão da relação com o crime organizado e com as Farc, que há mais de 50 anos “manteve uma guerra de guerrilha contra o povo colombiano e alimentou as suas atividades terroristas por meio do tráfico de armas e de drogas”.

Críticas

“A Venezuela não tem cooperado plenamente com os esforços antiterrorismo dos EUA e relatórios apontam que o ilegítimo ditador (Nicolás) Maduro permitiu o apoio a atividades que beneficiavam conhecidos grupos terroristas”, diz o texto.

Der acordo com o documento, “não surpreende que a ditadura de Maduro tenha ajudado e incitado os terroristas”. “Após anos de cooperação com as Farc, o ELN e outros terroristas e narcotraficantes, a Venezuela tornou-se um ‘narcoestado’.”

A carta dos senadores americanos também afirma que o ex-vice-presidente da Venezuela Tareck El Aissami foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA por vínculos com o narcotráfico e “dois sobrinhos de Maduro” cumprem atualmente uma condenação de 18 anos numa prisão americana “por conspirar para importar cocaína nos Estados Unidos”. 

O caso ocorreu no ano passado, quando Efraín e Franqui Flores, sobrinhos de Cilia Flores, mulher de Nicolás Maduro, foram presos no Haiti e levados para os Estados Unidos. Mais tarde, eles foram condenados por tentarem enviar 800 quilos de cocaína a um cartel mexicano, que posteriormente levaria a droga para território americano. 

De acordo com a confissão de Efraín, os lucros da venda da cocaína – estimados em cerca de US$ 20 milhões – seriam usados para financiar a candidatura de Cilia Flores ao Parlamento venezuelano, em 2015. Maduro e a mulher negam que a dupla estivesse envolvida no caso e dizem que a prisão foi “fabricada” pelas autoridades americanas.

“A crise na Venezuela é terrível e se agrava a cada dia. Os Estados Unidos deveriam usar todas as ferramentas disponíveis para proteger a pátria e o povo americano da ditadura venezuelana, e da relação da Venezuela com o terrorismo e o narcotráfico”, afirmam os senadores.

Sanções internacionais. Rubio é uma das vozes mais influentes em Washington na política dos Estados Unidos sobre a Venezuela. A designação – atualmente aplicada apenas a Irã, Coreia do Norte, Sudão e Síria – facilitaria a aplicação de mais sanções contra o governo venezuelano. 

No passado, a designação foi usada para cancelar as exportações de armas, limitar as vendas de tecnologia, impor restrições à entrega de ajuda econômica e restrições financeiras, entre outras ações. / AFP e REUTERS

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