EUA anexarão a América Latina com a Alca, diz Fidel

Discursando para centenas de milhares de trabalhadores cubanos que participavam das comemorações do Dia do Trabalho, o presidente Fidel Castro liderou uma passeata que culminou com uma manifestação diante dos escritórios da missão dos EUA em Havana em protesto contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Para ele, o tratado comercial hemisférico servirá apenas para atrair maior número de Disneylandias e McDonald´s para a América Latina e empobrecer a região.Fidel sugeriu a realização de um plebiscito regional para consultar os latino-americanos sobre se desejam participar da Alca. "Vamos evitar a anexação, vamos exigir resolutamente e desde já que nenhum governo possa vender uma nação dando as costas para o povo", disse Fidel. "Não haverá anexação se houver um plebiscito. Temos de semear a consciência do perigo e do que significa a Alca", acrescentou o dirigente, assegurando que não havia "um pingo de exagero" em suas afirmações.Para Cuba, disse Fidel em seu discurso, "é aboslutamente claro que a convocação para a Alca - nas condições, prazos, estratégias e procedimentos impostos pelos EUA - conduzirá inexoravelmente à anexação da América Latina pelos EUA.Isto, segundo ele, devido às desigualdades existentes entre os países da região e a primeira potência do mundo, os EUA, que finalmente absorveriam as economias latinas e caribenhas - desde os bancos até as telecomunicações, os hotéis e os centros de investigação científica, tudo será propriedade dos EUA. O líder cubano também previu que os povos latino-americanos não aceitarão "ser vendidos como escravos num leilão".Após seu discurso, Fidel percorreu os 4 km que separam a praça da sede da missão dos EUA em Havana, diante da qual liderou o protesto cubano contra a criação de uma área de livre comércio hemisférica, prevista para entrar em vigor em 2005.O ato da praça foi encerrado de forma inusitada: um locutor convidou a multidão para ver os "presidentes pigmeus", ou seja os mandatários de alguns dos países que apoiaram em 18 de abril um voto de censura contra Cuba na Comissão de Direitos Humanos da ONU em Genebra. Em seguida, apareceram sobre o estrado central da praça marionetes gigantescos com os rostos dos chefes de Estado da Argentina, Canadá, Uruguai, Costa Rica, Guatemala, República Checa e EUA - alguns dos países que votaram a favor da condenação.Um Fidel sorridente e rodeado por alguns de seus ministros observou a cena das marionetes, em meio à música, zombarias do locutor sobre os mandatários e os ruídos da multidão.Finalmente, os milhares de manifestantes reunidos na praça entoaram o hino da Internacional Socialista, agitando bandeiras e cartazes onde se liam consignas como "Abaixo o Imperialsmo" e "Fazer amor é fazer a revolução".

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