Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

EUA e UE anunciam sanções a autoridades russas por envenenamento e prisão de Navalni

Medidas são primeira ação de Biden contra o Kremlin e mais um rompimento com Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 11h24
Atualizado 02 de março de 2021 | 20h55

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos e a União Europeia anunciaram nesta terça-feira, 2, de maneira coordenada sanções contra a Rússia pelo envenenamento e pela prisão do líder opositor Alexei Navalni. As medidas anunciadas pela Casa Branca bloqueiam o acesso a ativos financeiros nos EUA de sete pessoas ligadas ao Kremlin, além de algumas empresas e entidades russas.

As sanções americanas de hoje replicam as punições impostas pela Europa no ano passado, que Donald Trump decidiu não seguir. As medidas são simbólicas, mas representam a primeira ação do governo Biden contra a Rússia. Autoridades dos EUA disseram que elas são um sinal de que a nova Casa Branca tratará a Rússia de maneira diferente do que tratava durante o mandato de Trump. 

A UE, que havia imposto novas sanções em fevereiro, em razão da repressão aos opositores russos, formalizou hoje punição ao chefe do comitê de investigação da Rússia, Alexander Bastrykin, ao procurador-geral, Igor Krasnov, aos diretores da guarda nacional, Viktor Zolotov, e do serviço penitenciário federal, Alexander Kalashnikov. Segundo os europeus, eles foram punidos pelo “papel na prisão arbitrária, processo e sentença de Navalni” e pela “repressão a protestos pacíficos”.

Fontes do governo americano disseram que os quatro também estão na lista dos EUA, que não deu mais detalhes sobre os outros nomes. Bastrykin, Krasnov, Zolotov e Kalashnikov, segundo os apoiadores de Navalni, estão envolvidos na repressão a dissidentes na Rússia. No entanto, ficaram de fora nomes importantes para os quais a oposição russa pede punição, principalmente banqueiros e oligarcas ligados ao presidente Vladimir Putin.

Armas químicas

O governo Biden também anunciou novas restrições à exportação de itens que poderiam ser usados pelos russos para fabricar armas químicas e uma ampliação das sanções existentes sob uma lei que controla o uso de armamento estratégico, aprovada após o envenenamento do ex-espião Serguei Skripal, no Reino Unido, em março de 2018. 

“Os EUA e a UE compartilham preocupações sobre o crescente autoritarismo da Rússia”, disse o secretário de Estado americano, Antony Blinken. “O governo dos EUA exerceu sua autoridade e enviou um sinal claro de que o uso de armas químicas pela Rússia e o abuso dos direitos humanos têm consequências graves.”

Segundo funcionários americanos, as sanções são uma resposta a quatro atos agressivos de Moscou. Além do envenenamento de Navalni, as ações de hackers russos contra agências federais e entidades do setor privado, tentativas de influenciar a eleição de 2020 e as recompensas oferecidas pela Rússia para cada soldados dos EUA morto no Afeganistão. As medidas são o resultado de análises de inteligência ordenadas por Biden em seu primeiro dia no cargo.

Reações

Alexander Gabuev, analista do Carnegie Moscow Center, disse que a resposta coordenada do governo americano com a Europa é mais eficaz do que a abordagem independente de Trump. No entanto, segundo ele, é “muito improvável que mude o destino de Navalni”. “Isso vai impor custos à Rússia, mas os custos são totalmente suportáveis”, afirmou Gabuev.

 Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca, disse que as medidas anunciadas ontem eram apenas o começo. “As sanções de hoje não eram para ser uma bala de prata para a relação difícil com a Rússia”, disse. “Esperamos que este relacionamento continue a ser um desafio, e estamos preparados para isso.”

A Rússia voltou hoje a dizer que não teve participação em nenhum ataque ao dissidente. A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, criticou as sanções americanas e europeias. “Elas são uma intromissão em nossos assuntos internos. Não vamos tolerar isso”, disse Zakharova. “Responderemos na mesma moeda. Colocar pressão sobre a Rússia com sanções não adianta. Elas fracassaram no passado e fracassarão novamente.”

Dmitri Peskov, porta-voz de Putin, disse que as sanções não são a “forma mais eficaz de um país atingir seu objetivo”. “Já é tempo de aqueles que continuam a confiar no uso de restrições nas relações com outros países se perguntarem se as sanções são realmente capazes de alcançar seus objetivos políticos ou se as relações estão apenas piorando por sua própria culpa”, afirmou Peskov./ WP, NYT e REUTERS 

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