EUA anunciam a retirada de 12 mil soldados do Iraque em até 6 meses

Efetivo equivale a duas brigadas, que não serão repostas; atentado suicida mata mais de 30 em Bagdá

AP, AFP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2009 | 00h00

O Exército dos EUA anunciou ontem a retirada de 12 mil dos cerca de 140 mil soldados americanos posicionados no Iraque nos próximos seis meses. A iniciativa faz parte do plano do presidente Barack Obama de retirar todas as tropas de combate americanas do país árabe até 31 de agosto de 2010. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que um ataque suicida deixou mais de 30 mortos em Bagdá."Duas brigadas de combate que deveriam ser transferidas nos próximos seis meses - juntamente com as unidades de apoio técnico como logística, engenharia e inteligência - não serão repostas", afirmou o Exército em uma nota oficial. A maioria dos soldados que deixará o país está em Bagdá e na Província de Anbar. Todos os 4 mil soldados britânicos que ainda estão no Iraque também serão mandados de volta para casa. As 12 brigadas restantes serão redistribuídas para manter o Iraque seguro, afirmou o porta-voz do Exército americano no país, major David Perkins.No fim do mês passado, Obama anunciou a retirada gradual dos soldados americanos no país até 2010, deixando entre 35 mil e 50 mil efetivos para dar suporte e treinar as forças de segurança iraquianas. A decisão faz parte da estratégia de Washington de mudar o foco do Iraque para o Afeganistão, onde a insurgência islâmica parece crescer cada vez mais. Um pacto feito entre o governo do ex-presidente George W. Bush e o Parlamento iraquiano, que entrou em vigor em 1º de janeiro, prevê a retirada total de todos os soldados americanos do país até o fim de 2011.O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, sugeriu que os militares americanos poderiam ter uma presença "modesta" depois desse prazo para ajudar a manter a segurança no país caso o governo iraquiano fizesse o pedido. No entanto, o porta-voz do governo do Iraque, Ali al-Dabbagh, dispensou a oferta. "O governo iraquiano não tem a intenção de aceitar a presença de tropas estrangeiras depois de 2011", disse Dabbagh.Perkins afirmou que a violência na região diminuiu cerca de 90% desde o início da ocupação americana em 2003 e afirmou que o país está em uma "situação estável". No entanto, o Iraque segue sendo um lugar perigoso e insurgentes continuam realizando ataques contra civis e militares.ATENTADO SUICIDAOntem, um ataque suicida em uma área xiita de Bagdá deixou pelo menos 32 mortos e mais de 60 feridos. A explosão ocorreu perto da principal academia de polícia da capital, quando recrutas aguardavam do lado de fora para iniciar o primeiro dia de treinamento.Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado, mas bombardeios suicidas são considerados a marca de assinatura do grupo terrorista Al-Qaeda.Além da questão da segurança, outra ameaça persistente para a estabilidade do país é a profunda divisão de poder entre o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, e seus rivais políticos.

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