EUA anunciam apoio internacional a sanções contra o Irã

O secretário de Estado adjunto americano, Nicholas Burns, disse nesta quarta-feira que a maioria dos membros permanentes do Conselho de Segurança (CS) da ONU e do Grupo dos Oito (os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia) apoiaram possíveis sanções contra o Irã para solucionar a crise em torno do programa nuclear do país. "Quase todos os países estão considerando algum tipo de sanção, e isso é algo novo", disse depois do segundo dia de discussões sobre o tema em Moscou. Burns se negou a especificar quais países apóiam as sanções. Rússia e China, ambos com poder de veto no CS, manifestaram-se contrários às medidas em outras oportunidades. "A grande novidade é a sensação de urgência (que tomou a maioria dos países) depois do que os iranianos fizeram na semana passada", continuou o secretário adjunto, em uma clara referência ao anúncio feito pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de que o país já possui tecnologia para enriquecer urânio em baixa concentração. O processo é um passo importante para a construção de armas nucleares. O Irã resiste fortemente aos crescentes chamados para que o país abandone seu programa de enriquecimento de urânio. Recentemente, Moscou propôs a condução do enriquecimento de urânio iraniano em usinas russas, uma iniciativa cujo objetivo era garantir que o combustível não fosse apurado ao nível ideal para a produção de armamento atômico. O Irã não aceitou a proposta. Em um crescente e tenso impasse, Estados Unidos e parte dos países ocidentais têm procurado uma nova forma de pressionar o Irã. Ação militar Em reação a um pronunciamento do presidente Bush desta terça-feira, Burns não rejeitou a possibilidade de uma ação militar contra o Irã. "Obviamente, os EUA sempre deixam todas as opções sobre a mesa... Mas nós estamos focados na diplomacia", concluiu. Por último, Burns assinalou que todos os países "devem suspender sua cooperação com o Irã no âmbito nuclear" e ressaltou que esta reivindicação dos EUA "se refere também a Bushehr", a usina atômica que a Rússia constrói para o Irã no Golfo Pérsico. "Não exigimos apenas à Rússia. Todos os países devem suspender o fornecimento ao Irã de mercadorias de uso duplo", civil e militar, ressaltou. Desde que começou a crise iraniana, Pequim e Moscou, com interesses econômicos no Irã, insistem em uma solução pacífica para o conflito e em mantê-lo na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), descartando qualquer tipo de sanções contra Teerã.

Agencia Estado,

19 Abril 2006 | 14h29

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.