Carolyn Van Houten/WP
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EUA anunciam em rádios brasileiras para conter migração

Porta-voz da Casa Branca diz que campanha tem como alvo jovens brasileiros e de 3 países da América Central

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2021 | 22h04

WASHINGTON - O governo dos EUA intensificou uma campanha de anúncios publicitários no Brasil e na América Central para convencer as pessoas de que “a fronteira americana está fechada” e os imigrantes ilegais não devem tentar chegar ao país. A informação foi dada ontem pela porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki. “Colocamos 17.118 anúncios de rádio no Brasil, El Salvador, Guatemala e Honduras desde 21 de janeiro, em espanhol, português e em seis línguas indígenas”, afirmou Psaki.

Os anúncios, segundo ela, foram veiculados em 33 estações de rádio e atingiram um público de 15 milhões de pessoas. A campanha se junta a outra estratégia do governo dos EUA, que enviou a mesma mensagem a usuários do Facebook e do Instagram “que se encaixam no perfil de imigrantes em potencial”, explicou Psaki. “No total, os anúncios nas redes sociais obtiveram mais de 73 milhões de visualizações nos países que pretendíamos alcançar”, disse a porta-voz.

Em El Salvador, a Casa Branca também financiou a divulgação de “uma história em quadrinhos e uma animação” que atingiram pelo menos 240 mil jovens salvadorenhos para “dissuadi-los” de fazer a viagem aos EUA, acrescentou Psaki. “O objetivo é comunicar claramente que não é hora de vir, que as nossas fronteiras não estão abertas.”

Psaki detalhou esses números no momento em que crescem as críticas ao presidente Joe Biden pela chegada em massa de crianças e de famílias indocumentadas à fronteira dos EUA com o México, que saturou os centros de detenção. Alguns analistas americanos atribuem essa onda de imigrantes ao fracasso de Biden em comunicar a mensagem de que não acolherá os ilegais, enquanto outros responsabilizam o aumento do número de pessoas ao desespero de muitos na América Central após a passagem de dois furacões.

A Casa Branca enviou ontem uma delegação ao México e à Guatemala para traçar um plano para conter a imigração ilegal, mas ainda resiste em descrever a situação na fronteira como uma “crise”. 

“Que crianças cheguem à nossa fronteira fugindo da violência, da perseguição, de situações terríveis, não é uma crise. É nossa responsabilidade enfrentar essas circunstâncias de forma humana”, disse Psaki. Ela admitiu que muitas das instalações onde o governo detém menores sem documentos “não são feitas para crianças” e o objetivo é tirá-las de lá o mais rápido possível. / EFE

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