EUA anunciam morte do mentor do ataque à Mesquita Dourada no Iraque

Al-Badri era líder da Al-Qaeda em Samara; o atentado ao templo xiita, em 2006, desatou a escalada do conflito sectário

Reuters, AP e AFP, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2006 | 00h00

As forças dos EUA no Iraque anunciaram ontem a morte do líder da Al-Qaeda responsável pelo ataque contra a Mesquita Dourada de Samara, que em fevereiro do ano passado desatou a pior onda de violência sectária desde o início do conflito no país, em 2003.Haitham Sabah al-Badri foi morto na quinta-feira, numa operação militar na região leste de Samara, informou Mark Fox, porta-voz do Exército dos EUA. Segundo Fox, após bombardearem um complexo de edifícios no qual o líder terrorista estava escondido, os soldados entraram em confronto com quatro homens que escaparam da emboscada - incluindo Al-Badri. Ele teria sido atingido por disparos feitos dos helicópteros chamados para dar apoio aos americanos.''''O corpo de Al-Badri foi identificado por membros de sua família e aliados próximos'''', disse Fox. ''''Eliminá-lo foi dar um novo passo para quebrar o ciclo de violência que teve início com o ataque à mesquita.''''A Mesquita de Samara é considerada um dos lugares mais sagr ados para os xiitas. O ataque de fevereiro de 2006 destruiu seu domo dourado e, por causa da importância simbólica do templo, provocou uma rápida escalada do conflito. Se até então os atentados eram realizados por grupos insurgentes e tinham como alvo tropas americanas ou do governo iraquiano, o ataque à mesquita fez com que eles se direcionassem contra as populações xiita e sunita. Em junho deste ano, a mesquita voltou a ser atacada, tendo seus minaretes destruídos. Esse novo atentado também foi atribuído a Al-Badri, bem como uma série de outras ofensivas no país.Segundo os militares americanos, Al-Badri estaria por trás do ataque contra um tribunal em Kirkuk em junho de 2006, que deixou 20 iraquianos feridos. Ele também teria planejado a explosão, em agosto, de um posto de controle em Samara, que matou 29 soldados iraquianos.Para os EUA, a morte do dirigente da Al-Qaeda no Iraque representa uma vitória num momento em que a estratégia do presidente George W. Bush para o conflito está sendo e questionada no Congresso americano e desperta pouca simpatia da população. Nas últimas semanas, 80 suspeitos de terrorismo foram presos em Samara (que fica a 100 quilômetros de Bagdá), numa megaoperação montada pelos americanos com a ajuda de cerca de mil soldados e policiais iraquianos.ATENTADOSAinda ontem, um ataque com morteiros contra um posto de gasolina de Bagdá matou 13 pessoas que estavam numa fila para conseguir combustível. De acordo com a polícia, durante a noite de sábado para domingo também foram encontrados 21 corpos nas ruas da capital iraquiana. Numa área de campo de Baquba, ao norte de Bagdá, a polícia encontrou 60 corpos em decomposição.

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