EUA anunciam para o dia 2 retomada de diálogo entre Israel e palestinos

Ofensiva diplomática. Washington convida líderes israelense e palestino para negociações interrompidas há 20 meses e estabelece meta ambiciosa de obter um acordo definitivo até setembro de 2011, apesar das reservas demonstradas pelos dois lados

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

 

Cerco. Palestinas aguardam para passar pelo controle de Kalandia, que separa Ramallah de Jerusalém

 

  Os EUA patrocinarão um encontro entre os líderes de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, no dia 2, para o lançamento de negociações diretas. O objetivo é alcançar um acordo definitivo de paz até setembro de 2011, informou ontem a secretária de Estado, Hillary Clinton.

 

 

 

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Os palestinos aceitaram na noite de ontem participar da reunião. Mas Saeb Erekat, negociador-chefe dos palestinos, advertiu que qualquer negativa de Israel em deter as construções nos territórios ocupados poria as negociações em perigo.

"Chegar a um acordo é um grande desafio, mas é possível", afirmou o premiê de Israel ontem, por meio de comunicado. "Vamos às negociações com um desejo genuíno de chegar a um acordo de paz entre os dois povos que protegerá os interesses de Israel, sobretudo de segurança nacional", concluiu Bibi, em claro apelo à ala mais à direita da coalizão política que o sustenta no poder e se opõe à negociação.

Em princípio, Abbas e Bibi deverão se reunir com o presidente dos EUA, Barack Obama, em 1.º de setembro, para um jantar na Casa Branca. Obama convidou também o presidente do Egito, Hosni Mubarak, o rei da Jordânia, Abdullah II, e o ex-premiê britânico Tony Blair, representante do quarteto de mediadores (EUA, Rússia, União Europeia e ONU). No dia seguinte, os últimos acertos para o lançamento das negociações serão conduzidos por Hillary Clinton no Departamento de Estado.

"Houve dificuldades no passado, haverá dificuldades pela frente. Sem dúvidas, vamos enfrentar mais obstáculos. Os inimigos da paz tentarão nos derrotar e tirar a negociação do trilho", declarou Hillary. Ao lado da secretária, o representante especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, insistiu que a negociação direta entre palestinos e israelenses pode ser concluída em apenas um ano. Conforme explicou, apesar de as conversas serem diretas, os EUA estarão prontos para apresentar propostas para superar impasses.

Se realmente forem lançadas no dia 2, as negociações começarão às vésperas do fim da vigência do compromisso de Israel de não construir novos assentamentos na Cisjordânia, em 26 de setembro. Ainda não há sinais de que o gabinete de Bibi conseguirá prorrogar essa moratória. Do outro lado, o Hamas, grupo radical islâmico que domina politicamente a Faixa de Gaza, já indicou que rejeitará as negociações.

Conforme Hillary explicou, as negociações deverão cobrir todos os temas do "status final" da relação entre Israel e a Autoridade Palestina (AP). Isso significa a definição de fronteiras precisas, do status político de Jerusalém e do retorno dos refugiados palestinos.

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