ITN via AP
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EUA anunciam sanções à Rússia por ataque com agente nervoso no Reino Unido

Segundo porta-voz do Departamento de Estado americano, Washington determinou que Moscou usou 'arma química ou biológica contra cidadãos russos ou em violação de leis internacionais'; medidas passam a valer no dia 22

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 16h58

WASHINGTON - Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 8, a imposição de sanções à Rússia em razão do ataque com agente nervoso no Reino Unido, em março, no qual um ex-espião russo e sua filha foram afetados.

De acordo com o Departamento de Estado americano, as sanções são uma resposta à violação de leis internacionais por Moscou ao usar Novichok, um agente químico, contra Serguei Skripal e sua filha, Yulia, na cidade de Salisbury. 

Os dois ficaram vários meses hospitalizados, mas sobreviveram. Uma mulher britânica que também teve contato com o Novichok morreu em julho.

"Após usar um agente nervoso Novichok em uma tentativa de assassinar o cidadão do Reino Unido Serguei Skripal e sua filha, Yulia Skripal", Washington determinou que "o governo da Federação da Rússia usou armas químicas ou biológicas em violação ao direito internacional", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

De acordo com fontes ouvidas pela emissora NBC, as sanções serão aplicadas em duas etapas e espera-se que o maior impacto das punições iniciais seja a proibição da concessão de licenças para exportar produtos de segurança nacional para a Rússia.

As sanções devem entrar em vigor em 22 de agosto, após um período de 15 dias para notificação do Congresso americano, segundo nota divulgada pelo Departamento de Estado. 

O Reino Unido acusa a Rússia de estar por trás do ataque contra o ex-espião. Moscou nega veementemente sua participação no caso e diz que não teve acesso às provas colhidas no local do ataque

Ex-encarregado dos serviços de espionagem do Exército russo, Skripal foi condenado em 2006 por alta traição, acusado de vender informação ao serviço secreto britânico. Depois de se beneficiar em 2010 de uma troca de espiões entre Moscou, Londres e Washington, decidiu se instalar na Inglaterra. Skripal e a filha conseguiram sobreviver após várias semanas internados em tratamento intensivo.

O caso Skripal desatou uma grave crise diplomática entre russos e ocidentais, que deu lugar a expulsões cruzadas de diplomatas.

Interferência. Em março, o Tesouro dos EUA já tinha adotado sanções contra 19 cidadãos russos e 5 entidades por interferências nas eleições presidenciais de 2016 – as medidas mais duras adotadas contra Moscou desde que o presidente Donald Trump assumiu a presidência.

Washington decidiu agir depois que a comunidade de inteligência americana determinou que a Rússia tentou ajudar Trump a vencer as eleições presidenciais.

O anúncio de novas sanções reforçaria a afirmação de Trump de que seu governo está adotando uma posição dura com relação a Moscou, apesar de ter denunciado a investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a trama russa como uma “caça às bruxas”, que deveria parar de imediato.

Trump foi duramente criticado pelos opositores, mas também por membros de seu partido pelo que foi considerada uma atitude muito complacente com relação a Moscou na cúpula com o presidente russo, Vladimir Putin, no mês passado, em Helsinque. / AP, AFP e REUTERS

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