EUA anunciam sanções contra a Líbia

Americanos também suspendem atividades da embaixada de Washington em Trípoli

estadão.com.br

25 de fevereiro de 2011 | 16h40

WASHINGTON - O governo dos EUA anunciou nesta sexta-feira, 25, que vai impor sanções unilaterais ou multilaterais à Líbia, segundo informou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. A decisão é anunciada um dia após o presidente americano, Barack Obama, se reunir com líderes europeus para discutir medidas contra o governo do país africano. A embaixada de Washington na Líbia também teve suas operações suspensas nesta sexta-feira.

 

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O anúncio das sanções foi feito minutos antes de um barco usado para evacuar americanos da Líbia chegar a Malta. Eles deixaram o país africano devido à violência que tomou conta de diversas cidades por causa das revoltas populares contra o regime do ditador Muamar Kadafi, que já dura 41 anos. Há protestos o país há 12 dias.

 

 

Segundo Carney, os EUA estão finalizando o processo, mas disse que não sabe quando as sanções entrarão em vigor. Washington ainda estaria conversando com parceiros europeus e discutindo se ações multilaterais podem ser levadas em consideração. Na quinta, Obama conversou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e com os primeiros-ministros Silvio Berlusconi, da Itália, e David Cameron, do Reino Unido.

 

"Estamos iniciando uma série de passos nos níveis unilateral e multilateral par pressionar o regime da Líbia a parar de matar seu próprio povo", informou o porta-voz. Não estão claras quais são as sanções, mas Washington anunciou anteriormente que algumas medidas que poderia tomar eram o congelamento de bens e a imposição de uma zona de restrição aérea.

 

Obama, disse Carney, ainda deve conversar com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, na próxima segunda-feira para discutir a situação na Líbia. Ban já condenou o uso de violência excessiva na repressão dos protestos e órgãos da ONU já se mobilizaram contra as ações do coronel Kadafi.

 

O porta-voz de Obama ainda afirmou que "Kadafi perdeu a confiança de seu povo" e disse que a legitimidade do coronel na Líbia foi "reduzida a zero". Carney refere-se aos vários embaixadores, diplomatas e militares que desertaram ou deixaram seus cargos em repúdio às ações do ditador contra os manifestantes.

 

Os EUA não são o primeiro país a se mobilizar contra a Líbia. A União Europeia já concordou em adotar sanções contra a nação africana e deve votar as medidas nas semana que vem. O Conselho de Direitos Humanos da ONU ordenou investigações sobre os possíveis crimes de guerra ocorridos durante a repressão.

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