AP Photo/Alex Brandon
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EUA anunciam sanções contra principal grupo petroquímico do Irã

Medidas foram tomadas por ligação da empresa, que controla 40% da capacidade de produção petroquímica iraniana, com a Guarda Revolucionária

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 16h40

WASHINGTON - Os Estados Unidos deram um novo passo nesta sexta-feira, 7, em sua pressão diplomática contra o Irã com a imposição de sanções ao principal grupo petroquímico iraniano, o PGPIC, por suas ligações com o Guarda Revolucionária Iraniana. A medida visa estrangular o financiamento do maior e mais rentável grupo petroquímico do país e se estende às suas 39 subsidiárias e agentes de vendas sediados no exterior, informou o Departamento do Tesouro americano em comunicado.

O grupo PGPIC controla 40% da capacidade de produção petroquímica do Irã e é responsável por 50% das exportações desse setor do país, de acordo com informações do governo dos EUA. Entre as subsidiárias afetadas pelas sanções, estão a NPC International, com sede no Reino Unido, e a NPC Alliance Corporation, instalada nas Filipinas.

O Tesouro explicou que decidiu penalizar o PGPIC devido às suas ligações com o braço econômico dos Guardiões da Revolução, conhecido como Khatam al Anbiya. "Esta ação é um aviso de que continuaremos a ter como alvo grupos e empresas do setor petroquímico e outros que fornecem assistência financeira aos Guardiões da Revolução", disse no comunicado, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

Os EUA alertaram que as empresas internacionais que continuarem a se associar com o PGPIC ou suas subsidiárias e agentes de vendas "estarão expostas às sanções". Os esforços de Washington no ano passado para sufocar a economia do Irã, após a decisão do presidente Donald Trump de abandonar o acordo nuclear assinado em 2015 por seu antecessor, levaram a um confronto entre Washington e seus aliados, já que muitas empresas internacionais foram afetadas pela disputa.

Vários países reduziram as importações de petróleo iraniano. A Europa tentou criar um mecanismo para continuar a negociar com o Irã sem violar as sanções dos EUA.

Tensão entre países aumentou nas últimas semanas

O PGPIC concedeu contratos a Khatam al Anbiya "gerando centenas de milhões de dólares para um conglomerado econômico da Guarda Revolucionária que se estende pelas principais indústrias do Irã". Washington incluiu os Guardiões da Revolução em sua lista de organizações terroristas em abril, a primeira vez que essa medida foi tomada contra uma entidade governamental. A decisão significa que qualquer pessoa que faça negócios com essa organização enfrentará penas de prisão nos Estados Unidos.

As sanções proíbem a companhia e suas controladas de entrar no mercado ou sistema financeiro dos EUA, mesmo através de outras empresas, e bloqueia todos os fundos ou propriedade da empresa iraniana baseados no país norte-americano ou realizada por um empresa americana.

As sanções podem se estender a "qualquer instituição financeira estrangeira que conscientemente facilitar significativa ou prestar serviços financeiros significativos para entidades designadas transação financeira", disse o Tesouro em um comunicado. "Ao visar essa rede, pretendemos negar fundos a elementos-chave do setor petroquímico do Irã que apóiam a Guarda Revolucionária", disse Mnuchin.

As tensões entre Washington e Teerã cresceram nas últimas semanas, depois que Trump ordenou que mais tropas fossem enviadas para a área do Golfo Pérsico e retomou as vendas de armas à Arábia Saudita para se proteger de um ataque iminente.

Trump insistiu na quinta-feira, 6, que estaria disposto a reabrir as negociações com o Irã, desde que concordem em abandonar seu suposto desejo de possuir armas nucleares. Mas Teerã descartou as conversações até que os Estados Unidos estejam prontos para voltar ao normal. / AFP

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