EUA anunciam ter encontrado bomba com agente sarin

Um artefato explosivo colocadorecentemente numa estrada em Bagdá continha o agente nervososarin, garantiram hoje militares dos Estados Unidos. Doisespecialistas em explosivos foram tratados por exposição ao gás,apesar de oficiais terem afirmado que a dispersão do agentenervoso foi mínima. Trata-se da primeira descoberta confirmada de materialproibido que formou a base da justificativa americana para suainvasão do Iraque. Oficiais dos EUA manifestaram preocupação deque outros projéteis contendo sarin ainda poderiam existir nopaís. Entretanto, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld,alertou que os resultados indicando a presença de gás sarin sãoprovenientes de testes de campo, que podem ser imperfeitos. Já o ex-chefe das inspeções de armas dos EUA no Iraque, DavidKay, disse que o projétil era possivelmente uma velha relíquiadeixada para trás quando o líder iraquiano Saddam Husseinanunciou que havia destruído tais armas em meados da década de90. Kay, numa entrevista por telefone à The Associated Press,afirmou duvidar que o projétil ou o agente nervoso tenham vindode um arsenal oculto, apesar de não ter descartado talpossibilidade. O ex-inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU)Hans Blix, falando à The Associated Press na Suécia, tambémconsiderou que o projétil provavelmente fora jogado em algumdepósito de entulho e não significa que o Iraque dispunha de umarsenal do tipo. O general americano Mark Kimmitt, que anunciou a descoberta,acredita que os insurgentes que plantaram o artefato explosivonão sabiam que ele continha o agente nervoso. "O Grupo de Pesquisa Iraquiana confirmou hoje que foiencontrado um projétil de artilharia de 155 milímetros quecontinha o agente nervoso sarin", disse Kimmitt, subcomandantede operações da coalizão, a repórteres em Bagdá. O projétil foi usado na montagem de uma bomba rudimentarcolocada na beira de uma estrada. O artefato foi encontrado eocorreu uma explosão quando especialistas tentavam desarmá-lo."Isso produziu uma pequena dispersão do agente", acrescentouKimmitt. O incidente ocorreu "poucos dias atrás", segundo ele. Muitos dos materiais usados agora na fabricação de bombas noIraque vieram de arsenais do Exército de Saddam saqueados depoisdo colapso do regime em abril de 2003. Em Washington, oficiais do Pentágono, que exigiram anonimato,afirmaram que soldados dos EUA que transportaram posteriormenteo projétil de artilharia sofreram sintomas consistentes com aexposição ao agente nervoso. Os oficiais não entraram emdetalhes, mas acrescentaram que ninguém ficou ferido na explosãoem si. Sarin é um de vários gases contra os nervos inventados peloscientista alemão Gerhard Schrader nos anos 30 como parte daspreparativos de Adolf Hitler para a Segunda Guerra Mundial.Apesar disso, o artefato não foi usado no conflito. O sarin é 20 vezes mais mortal que o cianido. É chamado de abomba atômica dos pobres, por causa do grande número de mortesque pode causar com uma pequena quantidade. Um miligrama de sarin pode causar a morte por paralisia dasfunções respiratórias e uma parada cardíaca. Seus efeitos sãosimilares aos de certos tipos de pesticidas chamadosorganofosfatos, mas muito mais poderosos. O sarin mata ao inutilizar o sistema nervoso. Ele bloqueia aação de uma enzima que remove a acetilcolina, uma substânciaquímica que transmite os sinais ao sistema nervoso. A substância ganhou notoriedade em 1995, quando seguidores daseita apocalíptica Verdade Suprema espalharam gás sarin pelometrô de Tóquio, causando a morte de 12 pessoas. No Iraque, o deposto regime de Saddam Hussein declarou nopassado a posse de milhares de mísseis e outros artefatoscarregados com gás sarin. As armas foram utilizadas durante aguerra Irã-Iraque, na década de 80. Acredita-se que o regime deSaddam tenha utilizado gás sarin contra curdos iraquianos.

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