Scott Howe/Departamento de Defesa dos EUA via AP
Scott Howe/Departamento de Defesa dos EUA via AP

EUA anunciam teste bem-sucedido de míssil convencional de médio alcance

Teste feito no domingo foi o primeiro desde a Guerra Fria, menos de um mês após a saída unilateral dos EUA do tratado de desarmamento INF

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2019 | 18h59

WASHINGTON - Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira, 19, que realizaram com sucesso seu primeiro teste de um míssil convencional de médio alcance desde a Guerra Fria.

O teste foi feito no domingo, às 14h30 horário local, na ilha de San Nicolas, localizada a 100 km da costa da Califórnia, informou um comunicado do Pentágono.

"O míssil testado abandonou sua rampa de lançamento e atingiu com precisão seu alvo depois de mais de 500 km de voo", acrescentou a nota.

"Os dados coletados e as lições aprendidas com este teste darão ao Departamento de Defesa as informações necessárias para o desenvolvimento de novas armas de médio alcance", concluiu o Pentágono.

O míssil testado é uma "variação do míssil de cruzeiro de ataque Tomahawk", segundo um funcionário do Departamento de Defesa.

O anúncio foi dado menos de um mês após o abandono do tratado de desarmamento INF (siglas em inglês de Intermediate-Range Nuclear Forces), em 2 de agosto.

Assinado em 1987 pelos ex-presidentes dos EUA e da Rússia, Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchov, o texto proíbe o uso de mísseis de médio alcance (de 500 km a 5.000 km), tanto convencionais quanto nucleares.

Washington justificou sua decisão alegando que Moscou violava o tratado. A saída americana abre caminho para uma nova corrida armamentista dirigida contra a Rússia e, sobretudo, contra a China.

No mesmo dia em que os EUA deixaram o acordo, o secretário de Defesa, Mark Esper, anunciou que o país aceleraria o desenvolvimento de novos mísseis terra-ar.

Esper também informou que os americanos haviam iniciado em 2017 investigações sobre esses sistemas de mísseis, embora tenham se mantido nos limites do tratado INF.

O presidente russo, Vladimir Putin, culpou os EUA pelo fim do tratado durante sua visita à França. "Não foi a Rússia que se retirou de forma unilateral do tratado", declarou.

"Agora se estuda a recondução do tratado START III. Até o momento tampouco vemos alguma iniciativa por parte de nossos parceiros americanos, embora já tenhamos transmitido nossas propostas", acrescentou Putin.

A última versão do tratado START, que mantém os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia muito abaixo do nível alcançado durante a Guerra Fria, termina em 2021.

A assinatura do INF permitiu, na década de 1980, a eliminação dos mísseis russos SS20 e Pershing, protagonistas da crise dos euromísseis. / AFP

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