EUA anunciam US$ 700 milhões para luta contra tráfico no México

Obama diz que está preparado para fazer mais se agentes e recursos não forem suficientes para conter cartéis

Reuters, Associated Press e AFP, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2009 | 00h00

A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, divulgou ontem um plano de US$ 700 milhões para combater o narcotráfico no México. A maior parte do dinheiro será investida ainda este ano no aumento do policiamento na fronteira para tentar conter a ação dos cartéis mexicanos, que já operam em cerca de 200 cidades americanas. Conheça os principais cartéis ligados ao tráfico de drogas no México O presidente americano, Barack Obama, disse ontem à noite em entrevista coletiva que os EUA estão preparados para "fazer mais" se os agentes e os equipamentos adicionais que ele planeja enviar à fronteira com o México para conter a violência relacionada ao narcotráfico não forem efetivos. "Continuaremos a monitorar a situação e se as medidas adotadas não forem suficientes, então faremos mais."Durante o dia, Janet disse que Obama está preocupado com o aumento da violência, particularmente em Ciudad Juárez e Tijuana, e com o impacto que ela tem sobre as comunidades nos dois lados da fronteira. O investimento anunciado ontem faz parte da Iniciativa Mérida, programa de segurança assinado entre EUA, México e países da América Central durante o governo de George W.Bush, em 2007. Na ocasião, o pacote previa gastos totais de US$ 1,4 bilhão em três anos. Os recursos que serão liberados em 2009 são aproximadamente o mesmo montante anual que os americanos gastaram em média com o Plano Colômbia, de 2000 a 2008. As medidas foram divulgadas na véspera da visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que chega hoje ao México. O plano prevê um aumento do número de oficiais de imigração e alfândega, assim como uma maior coordenação entre as agências federais americanas e mexicanas. Além disso, o México também receberá cinco helicópteros dos EUA.REPRESSÃOO Departamento de Segurança Nacional também aumentará a repressão ao tráfico de armas - só na semana passada, operações realizadas na fronteira apreenderam mil armas de fogo e US$ 4,5 milhões.Além disso, os EUA enviarão mais 50 agentes de imigração para a Cidade do México, que trabalharão com a Procuradoria-Geral mexicana. A Casa Branca anunciou ainda o envio à região de 12 equipes treinadas que contam com a ajuda de cães capazes de farejar explosivos, drogas, armas e dinheiro.A iniciativa americana não menciona um aumento do uso de forças militares, mas afirma que o Pentágono colaborará com as Forças Armadas do México para ampliar a troca de informações e a capacidade de operação conjunta das unidades antidrogas dos dois países.No início do mês, Obama, disse que estava avaliando a possibilidade de enviar à fronteira efetivos da Guarda Nacional americana. Mas no plano divulgado ontem não há qualquer menção a uma militarização imediata da região - a hipótese, porém, não está descartada. Os cartéis mexicanos faturam US$ 40 bilhões por ano com o tráfico de drogas para o EUA, maior mercado consumidor do mundo. Do outro lado da fronteira, os narcotraficantes conseguem 90% do armamento usado. Segundo autoridades mexicanas, houve 7 mil assassinatos no México em crimes ligados ao tráfico em 2008 e 2009. REAÇÃOO plano obteve reações distintas. O governador do Texas, o republicano Rick Perry, considerou as ações "insuficientes" e voltou a pedir mais homens na vigilância da fronteira. "Não me importa se serão soldados, agentes de fronteira ou a Guarda Nacional", disse.Já a ministra das Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa, elogiou a iniciativa. "O plano é consistente com a determinação dos dois governos de combater o tráfico na fronteira", afirmou.FRASESBarack ObamaPresidente americano"Continuaremos a monitorar a situação e se as medidas adotadas não forem suficientes, então faremos mais"Janet NapolitanoSecretária de Segurança Nacional dos EUA"O presidente está preocupado com o aumento da violência, particularmente em Ciudad Juárez e Tijuana, e com o impacto que ela tem sobre as comunidades nos dois lados da fronteira"Patricia EspinosaMinistra das Relações Exteriores do México"O plano é consistente com a determinação dos dois governos de combater o tráfico na fronteira"Rick PerryGovernador do Texas"Não me importa se são soldados, agentes de fronteira ou a Guarda Nacional"

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