EUA apóiam negociação entre partidos libaneses e Hezbollah

O embaixador americano no Líbano expressou nesta sexta-feira seu apoio às negociações entre todos os partidos do país, acrescentando que o diálogo que terá início na segunda-feira é uma oportunidade para que o Líbano resolva a tensão gerada pela exigência do Hezbollah por uma participação maior no governo. No começo da semana, o Hezbollah, que tem dois ministros no Gabinete, ameaçou organizar manifestações em massa a não ser que o primeiro-ministro Fuad Saniora reorganize seu governo para dar ao grupo militante e seus aliados poder de veto nas principais decisões. A Casa Branca acusou o Hezbollah e seus patrocinadores sírios e iranianos de quererem derrubar o governo de Saniora. Todas as maiores facções podem participar das negociações na segunda-feira, convocadas pelo presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri. Aliado político do Hezbollah, Berri propôs que as conversações se concentrem na formação de um governo de "unidade nacional" e de uma nova lei eleitoral. "Essas negociações são, do nosso ponto de vista, uma oportunidade real para que os libaneses tracem um caminho pacífico e constitucional", disse o embaixador americano Jeffrey Feltman, depois de se encontrar com Berri nesta sexta. Feltman elogiou Berri por sua iniciativa, dizendo que nas negociações os libaneses "usariam o diálogo ao invés do confronto." Saniora rejeitou os pedidos para recuar. Antes do ultimato do Hezbollah nesta semana, ele havia repetido diversas vezes que não haveria mudanças no governo. Mas na quarta-feira - um dia depois do líder do Hezbollah Sheik Hassan Nasrallah ameaçou realizar protestos - Saniora disse que a questão da reforma no Gabinete seria discutida nas negociações com todos os partidos, "e veremos o que está nos interesses do país." Nasrallah quer que o Hezbollah e seus aliados possuam um terço dos 24 assentos do Gabinete, o que tornaria seu apoio essencial para todas as principais decisões. Ele ameaçou levar aqueles que o apóiam às ruas, a menos que Saniora atenda sua exigência até 13 de novembro. O Hezbollah se sente encorajado por sua habilidade de suportar o bombardeio israelense massivo durante a guerra de 34 dias contra Israel, em julho e agosto. O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse na quarta-feira que quaisquer tentativas de organizar manifestações, ameaças ou usar de violência contra o governo libanês seria uma clara violação da autoridade do país e das três resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Seus comentários geraram uma resposta rápida da Síria, que negou estar se metendo no assuntos do Líbano, e críticas do Hezbollah, que acusou os Estados Unidos de estarem tentando envolver o Líbano em sua disputa com o Irã e a Síria. Berri também levantou suspeitas sobre as intenções americanas após as declarações de Snow. Samir Geagea, líder do partido cristão Forças Libanesas, que possui um ministro no Gabinete, disse que seu partido organizará seus próprios protestos caso o Hezbollah tente derrubar o governo. As facções que apóiam o governo de Saniora querem que as negociações entre todos os partidos envolvam outras questões ao invés de um novo governo, como o destino do presidente Emile Lahoud, que é a favor da Síria e se recusa a renunciar, e o desarmamento do Hezbollah, requerido por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, Paralelamente a essas negociações, a Arábia Saudita está trabalhando em um compromisso para expandir o Gabinete e satisfazer as demandas do Hezbollah e seus aliados.

Agencia Estado,

03 Novembro 2006 | 16h11

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