EUA apóiam ONU e exigem saída imediata de Israel

O Conselho de Segurança da ONU adotou a terceira resolução em pouco mais de três semanas sobre a crise no Oriente Médio, parte de um esboço para o fim dos últimos confrontos e a volta de israelenses e palestinos à mesa de negociação a fim de discutirem um acordo final de paz. Por 15 votos a zero, o conselho aprovou uma resolução exigindo a retirada das tropas de Israel das cidades palestinas "sem postergação" e endossando a missão do secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, ao Oriente Médio na semana que vem.Diplomatas disseram que a resolução irá dar mais peso ao novo esforço do presidente norte-americano, George W. Bush, para pôr fim à atual crise no Oriente Médio, e à resolução da ONU adotada no sábado que pede a retirada israelense e que Israel e os palestinos "adotem imediatamente um significativo cessar-fogo".O secretário-geral Kofi Annan afirmou que as três resoluções sobre o Oriente Médio aprovadas este mês oferecem os elementos necessários para se dar início à contenção do atual conflito, assim como a um amplo esboço por um acordo permanente de paz na região.Antes da votação de hoje, Annan pediu a todos os membros da comunidade internacional para considerarem urgentemente como convencer as partes - especialmente Israel - a recuar da violência que ameaça a estabilidade de toda a região.Acusando Israel de estar buscando uma escalada do conflito, ele advertiu que clamar autodefesa contra atentados suicidas a bomba "não é um cheque em branco". Ele disse que seguir a proposta do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, forçando o líder palestino Yasser Arafat ao exílio, "seria temerário". Ele também afirmou que líderes e o público palestinos têm de reconhecer que "o terrorismo nunca é justificável".A decisão do Conselho de Segurança de dedicar-se intensamente ao conflito israelense-palestino de 18 meses e a questão mais ampla de uma paz de longo prazo no Oriente Médio é em muito resultado da mudança de posição dos Estados Unidos.Depois que a violência voltou a explodir no Oriente Médio em setembro de 2000, os Estados Unidos, o mais próximo aliado de Israel no conselho, torpedearam virtualmente todo esforço palestino para conseguir que uma resolução do Conselho de Segurança condenasse as ações israelenses.Mas, numa surpreendente mudança, em 12 de março os Estados Unidos patrocinaram uma resolução endossando pela primeira vez no Conselho de Segurança a criação de um Estado palestino.Depois que forças israelenses começaram a entrar na semana passada em cidades palestinas na Cisjordânia em busca de extremistas responsáveis por uma série de atentados suicidas a bomba em Israel, o conselho adotou uma segunda resolução no sábado, exigindo a retirada das forças do Estado judeu e a aceitação de um cessar-fogo pelas partes.Frustrados por Israel não cumprir a exigência do conselho, partidários dos palestinos pressionaram por uma nova resolução incluindo a palavra "imediata" - que não estava no pedido de sábado pela retirada israelense.Os Estados Unidos faziam objeção à palavra porque pressionavam por um cessar-fogo antes da retirada das tropas isralenses, uma posição apoiada por Ariel Sharon.Mas, depois do anúncio de ontem de uma nova iniciativa de Washington, o embaixador norte-americano John Negroponte propôs uma nova formulação para o esboço de resolução apoiado pelos árabes, exigindo que Israel retire suas tropas "sem postergação" e saudando a missão de Powell no Oriente Médio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.