EUA apoiarão o Paquistão no combate ao extremismo, diz Rice

Após renúncia de aliado, secretária de Estado afirma que Washington pretende continuar luta contra o terror

Agências internacionais,

18 de agosto de 2008 | 10h36

Os Estados Unidos vão continuar a ajudar o governo paquistanês a lutar contra o extremismo, disse a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, na segunda-feira, depois que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, anunciou sua renúncia. Musharraf, ex-comandante do Exército e um aliado-chave dos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror, deixou o cargo em meio a uma campanha de impeachment contra ele lançada por partidos do governo de coalizão.   Veja também: Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão Perfil: Musharraf viveu reviravolta após 11/09 Coalizão diz que renúncia é vitória do povo Rice afirmou que Washington é grato é Musharraf por ter escolhido lutar contra a Al-Qaeda, o Taleban e outros extremistas. "Vamos continuar a trabalhar com o governo e com os líderes políticos paquistaneses e exigir que eles redobrem seu foco no futuro do Paquistão e suas necessidades mais urgentes, inclusive conter o crescimento do extremismo, lidar com os déficits de comida e energia e aumentar a estabilidade econômica", disse Rice em um comunicado. "Os Estados Unidos vão ajudá-los nestes esforços para ver o Paquistão atingir seu objetivo de se tornar uma nação islâmica estável, próspera, democrática e moderna", disse.   O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Gordon Johndroe, também ressaltou que o presidente George W. Bush continuará trabalhando ao lado do Paquistão mesmo depois do anúncio feito por Musharraf. "O presidente Bush está comprometido com um Paquistão forte que mantenha seus esforços para aprofundar a democracia e combater o terrorismo".   Rice, no entanto, tomou o cuidado de manifestar apoio ao governo civil que pressionou pelo afastamento de Musharraf. "Os Estados Unidos apóiam a transição a um governo democrático no Paquistão e respeita o resultado da eleição" parlamentar de fevereiro último, vencida pela oposição a Musharraf.   O governo afegão comemorou a renúncia de Musharraf. Segundo o Ministério do Interior, a saída terá impacto positivo sobre Cabul. O porta-voz Zemeri Bashary afirmou ainda que Musharraf era um aliado dos Estados Unidos "somente em palavras, mas não em atos" e que o paquistanês não era bom para o Afeganistão, voltando a acusar os serviços secretos paquistaneses de participação em ataques ocorridos em solo afegão.   Sultan Ahmed Baheen, porta-voz da chancelaria afegã, manifestou a esperança de que a renúncia de Musharraf fortaleça a democracia tanto no Paquistão quanto no Afeganistão.   Repercussão internacional   A Rússia afirmou esperar que a renúncia do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, não leve esse país a uma nova crise de "instabilidade política interna". A Chancelaria russa também diz confiar em que, apesar do ocorrido, será mantida a tendência "positiva" nas relações entre Moscou e Islamabad.   A França fez um apelo para que todas as forças políticas do país respeitem o "marco constitucional e o Estado de direito". O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores francês afirmou ainda que Paris espera que o próximo presidente paquistanês e seu governo possam "trabalhar em um clima construtivo e em respeito às instituições" para enfrentar os numerosos desafios que afrontam o país. A chancelaria ressaltou que ainda é possível "garantir a estabilidade e a democracia deste aliado e permitir que ele assuma em melhores condições suas responsabilidades regionais e internacionais". Matéria atualizada às 12h20.

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