Charlie Riedel/AP
Charlie Riedel/AP

EUA apreendem 800 menores por dia na fronteira com o México

Crianças e adolescentes somam 37% de todas as travessias ilegais, quase o triplo da média histórica, e dificultam deportações do governo americano

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 21h39

YUMA, EUA - Dados oficiais mostram que cerca de 169 mil jovens foram apreendidos nos últimos 7 meses após atravessar a fronteira do México com os EUA, uma média de 800 por dia – mais da metade tem 12 anos ou menos. Os menores representam quase 37% das travessias, uma proporção também crescente. 

“Nunca vimos nada parecido”, disse John Sandweg, diretor da agência de imigração do governo Barack Obama. A presença das crianças atrapalhou o esquema montado nos últimos anos pelo Congresso e pela Casa Branca para capturar e deportar imigrantes rapidamente. Hoje, as cenas na fronteira envolvendo crianças são surreais: um menino capturado em um traje de Tartaruga Ninja, uma menina com uma boneca rosa e agentes de fronteira alimentando bebês.

Os imigrantes dizem que entram nos EUA porque a seca está destruindo suas colheitas, não podem pagar suas contas ou suas crianças são ameaçadas por gangues. Em Yuma, no Arizona, famílias começaram a entrar em grande quantidade. Em desespero, um abrigo foi montado em um shopping, em março, acreditando que seria temporário. No início, eram 50 pessoas. Depois, 150. Hoje, os números dobram a cada semana.

Igrejas emitiram apelos urgentes por fraldas, leite em pó, livros para colorir e lápis de cera. Trabalhadores humanitários vieram de Washington. O prefeito de Yuma, que se opõe à imigração ilegal, declarou emergência e implorou que a Casa Branca ajudasse, porque o fluxo de pessoas era diferente de tudo o que a cidade já viu. “Não estou interessado em ver famílias desabrigadas e famintas vagando pela cidade”, disse o prefeito republicano, Douglas Nicholls.

Em Yuma, metade das apreensões neste ano foi de crianças – o maior porcentual dos EUA. Os imigrantes chegam empoeirados e exaustos, dizendo que está mais fácil do que nunca entrar nos EUA. Como os menores não podem ficar presos por muito tempo, eles levam crianças e se entregam, para que a família seja libertada em seguida ou enviada para um abrigo. “Eu quero estudar”, disse César González, de 13 anos, da Guatemala. “Depois, poderei trabalhar para ajudar meu pai.”


As famílias estão se dirigindo cada vez mais para o Deserto do Arizona, porque percebem que o foco do governo é a fronteira do Texas. Além disso, o Estado tem menos locais de detenção, o que significa que eles são libertados mais rapidamente.

Embora os US$ 4,5 bilhões em gastos fronteiriços propostos por Donald Trump incluam ajuda humanitária e fiscalização, os democratas temem que a abordagem não se direcione adequadamente às crianças, chamadas de “buchas de canhão na campanha de Trump” pelo deputado democrata Raul Grijalva. “Nunca vi a situação tão ruim”, disse. “As crianças são parte de uma eleição presidencial.” / W. POST

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