EUA apresentam novo projeto de resolução sobre o Iraque

A Casa Branca enviou hoje aos quatro outros países-membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas um novo projeto de resolução sobre as inspeções de armas no Iraque, ao mesmo tempo em que o presidente americano, George W. Bush, afirmava acreditar que o país poderia ser desarmado "pacificamente". "Nós tentaremos a diplomacia. Tentaremos isso uma vez mais", disse Bush a repórteres na Casa Branca. "Eu creio que o mundo livre pode desarmar esse homem (Saddam Hussein) pacificamente. Mas se isso não ocorrer nós teremos, assim como outras nações, de desarmar Saddam."Bush acrescentou que a política de Washington em relação ao Iraque continua sendo a exigência da mudança de regime. Ele disse, porém, que, se Saddam aceitar todas as medidas de desarmamento da ONU, "isso seria em sinal de que o regime teria mudado".Na véspera, o secretário de Estado, Colin Powell, havia declarado a emissoras de TV que os EUA estariam dispostos a aceitar a manutenção de Saddam no poder em Bagdá, caso o regime iraquiano aceitasse se desarmar totalmente.A nova proposta de resolução concluída hoje exclui a autorização explícita para que os EUA utilizem a força automaticamente, caso Bagdá obstrua o trabalho de inspeção - que constava num texto anterior. Além dos EUA, são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU a China, França, Grã-Bretanha e Rússia.De todo modo, o novo projeto ainda dá alguma cobertura legal para uma intervenção militar, por conter uma advertência para "graves conseqüências" se o regime iraquiano bloquear as inspeções. O texto apresentado - que deve ser votado na ONU tão logo os membros permanentes do conselho cheguem a um acordo - estabelece que a equipe de inspetores deverá apresentar um relatório às Nações Unidas antes de qualquer eventual ataque."Acreditamos que conseguimos avanços na direção de um acordo sobre os termos que se discutem há várias semanas", declarou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. "Vamos ver qual será a orientação do Conselho de Segurança. Não posso dizer em que momento exatamente haverá iniciativas concretas, mas acho que há progressos." Fleischer acrescentou que os EUA se manterão inflexíveis em sua política de "tolerância zero" com qualquer bloqueio do Iraque às inspeções.Para ser aprovada pelo conselho, a resolução deve ter o voto favorável de pelo menos 9 dos 15 membros e nenhum voto contrário dos 5 membros permanentes - que têm poder de veto. O novo projeto de resolução também reforça o papel político da equipe de inspetores que, em última análise, terá nas mãos o poder de recomendar uma intervenção militar.O chefe dos inspetores, o sueco Hans Blix, chega amanhã a Moscou para discutir detalhes da nova resolução com o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov. Em 1998, a Rússia criticou duramente os inspetores, então liderados por Richard Butler, por não se reportarem ao Conselho de Segurança durante a crise que antecedeu os ataques militares a Bagdá, na operação Raposa do Deserto. Após semanas de impasse, os inspetores saíram do Iraque alegando que Saddam Hussein os impedia de realizar vistorias em oito complexos presidenciais.O jornal The New York Times informou hoje que a Casa Branca espera a rápida retomada das inspeções, uma vez que o inverno se aproxima no Hemisfério Norte. Analistas militares consideram essa estação o melhor período para uma intervenção no Iraque. "Não podemos esperar mais seis meses para ver o que acontece", disse um funcionário do governo ouvido pelo jornal. "Observaremos com cuidado e a cada dia como se comportam os iraquianos."O comandante de campo do Exército americano, general Tommy Franks, encerrou hoje visita à Turquia, país-chave numa eventual operação contra o vizinho Iraque. Franks entrevistou-se com comandantes militares turcos, mas negou que tivesse pedido autorização para utilizar bases aéreas no país.

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