EUA apresentam novo texto sobre o Iraque

Os 15 membros do plenário do Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniram-se para debater a proposta apresentada pelos EUA sobre as inspeções de armas de destruição em massa no Iraque. Apesar da forte oposição de Rússia e França ao novo projeto de resolução, a Casa Branca pressiona a ONU para que se defina rapidamente sobre o tema. Na condição de membros permanentes do conselho, russos e franceses têm poder para vetar resoluções.Hoje à noite, a proposta americana era debatida a portas fechadas na sede da ONU, em Nova York. Um analista diplomático estimou que a medida não deveria ser votada antes de segunda-feira, por causa do tempo necessário para consultas entre os representantes na ONU e seus governos.O texto apresentado por Washington não faz - ao contrário de um projeto anterior - menção ao "uso automático da força", caso o Iraque obstrua o trabalho dos inspetores. Mas prevê "graves conseqüências", não especificadas, se Bagdá não cumprir as exigências da ONU.O embaixador russo, Sergey Lavrov, imediatamente rejeitou o texto. Para Moscou, esse trecho da proposta abre brechas legais para uma intervenção militar sem a aprovação de uma nova resolução. O projeto americano também impõe um calendário muito apertado para que o Iraque cumpra as determinações, além de conferir à equipe de inspetores poderes para proibir sobrevôos ou o acesso de veículos às áreas de inspeção.A demora da ONU em aprovar uma resolução tem deixado a Casa Branca impaciente. Ontem, o presidente americano, George W. Bush, reiterou que, se as Nações Unidas não se decidissem logo, os EUA estariam dispostos a liderar uma coalizão "para desarmar Saddam Hussein". A razão da pressa pode estar ligada às condições climáticas para uma ação militar no Iraque. Analistas americanos sustentam que o inverno (no Hemisfério Norte) é a melhor época do ano para a intervenção num país de clima desértico e árido.Em Washington, Bush sancionou hoje o novo orçamento de Defesa, de US$ 355,4 bilhões - US$ 34 bilhões maior do que o do ano fiscal anterior. "A América está unida, a América é forte e a América seguirá sendo forte", discursou Bush.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2002 | 18h57

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