EUA aprovam fim de veto a militares gays

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de ontem, por 65 votos a favor contra 31, a presença de gays assumidos nas Forças Armadas. A lei que proibia os militares homossexuais de se assumirem vigorava há 17 anos.

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Pouco antes, entretanto, o Senado havia votado definitivamente contra o projeto de Lei Dream, que permitiria a permanência de filhos de imigrantes ilegais nos EUA por cinco anos e o acesso deles às escolas e universidades e ao serviço militar.

A aprovação de ambos os projetos vinha sido defendida pelo presidente americano, Barack Obama, desde sua campanha de 2008. No caso dos militares gays, o Senado indicou ontem sua tendência de acabar com a política "Não Pergunte, Não Conte", de 1993. Essa medida permitia a presença de homossexuais nas Forças Armadas desde que eles não se assumissem como tal. Os comandos militares tampouco poderiam questioná-los sobre o tema. Com a nova lei, os gays declarados não correrão mais o risco de expulsão.

"Como comandante-chefe, eu estou absolutamente convencido de que essa mudança sublinhará o profissionalismo de nossas tropas como as forças de ataque mais bem lideradas e treinadas que o mundo já conheceu", afirmou Obama, em nota oficial. "É tempo de permitir a gays e lésbicas servir o país abertamente. Apelo para o Senado enviar essa lei para a minha mesa."

Defendida especialmente por organizações de defesa dos direitos dos homossexuais e pelo Partido Democrata, esse projeto de lei recebeu o apoio do chefe das Forças Armadas, almirante Mike Millen, e do secretário de Defesa, Robert Gates. Há dez meses, um relatório do Pentágono provou que a presença de gays nas Forças Armadas não traria ameaça para as missões nem receberia a oposição das tropas.

Imigrantes. Considerada pelo Partido Republicano e por parte dos senadores democratas como um projeto de anistia camuflada a imigrantes ilegais, a Lei Dream não obteve os 60 votos necessários para sua aprovação. Em nota, Obama afirmou-se "incrivelmente desapontado" e avisou que não vai desistir da medida.

Possivelmente, ela será incluída no futuro projeto de reforma da lei de imigração. "Nossa nação enriqueceu com o talento deles (jovens imigrantes ilegais) e se beneficiaria com o sucesso de seus esforços", afirmou.

A lei favoreceria imediatamente um número estimado de 726 mil jovens imigrantes, segundo o Instituto de Política Migratória. De acordo com dados da Secretaria de Educação, mais de 50 mil filhos de imigrantes ilegais são formados a cada ano nas escolas secundárias dos EUA. "Este é um voto que não será esquecido por uma comunidade que está crescendo não só em tamanho, mas também em consciência política", advertiu o senador democrata Robert Menendez, um maiores defensores do projeto.

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