Wally Santana / AP
Wally Santana / AP

EUA aprovam potencial venda de armas a Taiwan; China pede anulação imediata do projeto

Decisão representa uma nova escalada de tensão entre Washington e Pequim, imersos em uma guerra comercial; Congresso americano tem até 30 dias para rejeitar a proposta

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 03h21
Atualizado 09 de julho de 2019 | 13h16

WASHINGTON - O Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou a potencial venda a Taiwan de US$ 2,2 bilhões em armas, informou o Pentágono. Nesta terça-feira, 9, a China reagiu e pediu a Washington que "anule imediatamente" o projeto. A decisão representa uma nova escalada de tensão entre os dois países, imersos em uma guerra comercial.

A venda, que incluiria principalmente 150 tanques, como os Abrams M1A2T, e 250 lança-mísseis terra-ar, como os Stinger, foi comunicada ao Congresso, que tem 30 dias para rejeitá-la, mas isso parece pouco provável.

O projeto servirá para "modernizar" o arsenal de Taiwan e "não afetará o equilíbrio básico das forças militares na região", destacou a Agência de Cooperação para a Segurança e Defesa (DSCA), órgão do departamento de Defesa dos EUA. Além disso, "apoiaria a política externa e de segurança nacional dos EUA, ajudando a melhorar a segurança e a capacidade defensiva política" de Taiwan, acrescentou.

O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan disse que a decisão mostra o "apoio" fornecido por Washington diante das ameaças da China. “A venda de armas a Taiwan demonstra o apoio do governo dos EUA para as necessidades de defesa de Taiwan, bem como sua firme determinação em cumprir seus compromissos de segurança", afirmou em um comunicado a chancelaria do território.

Contudo, para Pequim, a medida “viola seriamente o princípio de uma só China”. “Interfere gravemente nos assuntos internos da China e prejudica sua soberania e interesses de segurança", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang. "A China pede aos EUA que anule imediatamente este projeto de venda de armas a Taiwan e interrompa qualquer vínculo militar entre Taiwan e EUA.”

O porta-voz chinês destacou em uma entrevista coletiva a necessidade de evitar mais danos às relações entre Pequim e Washington, e "expressou sua profunda insatisfação" com o anúncio. 

No início do mês, Pequim manifestou sua oposição à eventual venda de armas a Taiwan. "Temos enfatizado repetidamente aos EUA que compreendam a natureza extremamente sensível e daninha de sua decisão de vender armas a Taiwan", e a necessidade de "acatar o princípio de apenas uma China", disse Shuang.

Relação conturbada

A China considera Taiwan parte de seu território. A ilha é governada por um regime adversário de Pequim, que se refugiou ali após a tomada do continente por parte dos comunistas, em 1949, ao fim da guerra civil chinesa.

Washington, que rompeu relações diplomáticas com Taipé em 1979 para reconhecer Pequim como único representante da China, segue sendo o aliado mais poderoso da ilha e seu principal fornecedor de armas.

Pequim ameaça usar a força se Taipé declarar formalmente a independência ou em caso de intervenção externa, principalmente dos EUA. Taiwan seria superada em termos de número de tropas e poder de fogo em qualquer conflito com a China, e tem procurado atualizar o seu equipamento militar cada vez mais obsoleto, especialmente sua força aérea.

Os tanques Abrams e mísseis Stinger, que são portáteis e podem ser rapidamente movidos por soldados no campo, aumentariam significativamente a capacidade de Taiwan numa possível invasão chinesa. Os tanques M1A2 "são realmente confiáveis e vão se tornar uma parte essencial da nossa defesa terrestre" por sua capacidade de manobra, disse Yang Hai-ming, general do Exército de Taiwan, a jornalistas.

O presidente americano, Donald Trump, não esconde suas intenções de fortalecer os laços com a ilha, especialmente com a venda de sofisticados sistemas de armamentos. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.