EUA armam países do Golfo Pérsico para conter o Irã

Washington enviará caças e bombas inteligentes a Emirados Árabes e Arábia Saudita para neutralizar eventual ataque iraniano

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h02

Sem apoio da Rússia e da China para a adoção de novas sanções contra o Irã na ONU, os Estados Unidos planejam elevar a capacidade militar das monarquias do Golfo Pérsico como meio de conter a possível ameaça militar de Teerã. O objetivo final será a construção um sistema integrado de defesa contra ataques de mísseis de curto e médio alcance iranianos.

Segundo o Wall Street Journal, o governo de Barack Obama encaminhará ao Congresso americano pedido de autorização para a venda aos Emirados Árabes de 4,9 mil "bombas inteligentes" da Boeing, capazes de planar ao serem lançadas e de atingir seu alvo com maior precisão.

A expectativa em Washington em relação ao relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear do Irã, divulgado esta semana, acentuou a troca de informações militares e de agências de inteligência com os seis países do Golfo Pérsico (Catar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Iraque) nos últimos meses.

Entre outras medidas, os EUA decidiram transferir para o Kuwait a maioria das tropas a serem retiradas no final do ano do Iraque. Cerca de 40 mil soldados americanos serão mantidos na região. Também fecharam contratos de venda para a Arábia Saudita de caças F-15, de 2 mil "bombas inteligentes" - as chamadas munições de ataque direto conjunto ou JDAM, na sigla em inglês - e de outras munições, segundo a reportagem. Os Emirados Árabes mantêm uma ampla frota de caças F-16, já munidos com centenas dessas munições.

É crescente a preocupação dos países do Conselho de Cooperação do Golfo com o desenvolvimento de um programa nuclear militar pelo Irã. O relatório da AIEA sobre o tema, divulgado nesta semana, acentuou as suspeitas de que artefatos atômicos estão em construção no Irã, apesar das quatro rodadas de sanções impostas sobre interesses econômicos do país e da pressão internacional.

Como resumiu ao Estado um diplomata brasileiro que pediu para não ser identificado, as monarquias do Golfo Pérsico aprenderam a lidar com o fato de Israel ser uma potência nuclear. Mas, para esses seis países, mais temerário seria ver o Irã - persa e muçulmano xiita - possuir a bomba.

No Conselho de Segurança, os EUA enfrentam a oposição da Rússia a sanções adicionais ao Irã. Embora não tenha se declarado claramente, a China tende a seguir Moscou por depender de importações de petróleo iraniano. França e Grã-Bretanha devem apenas ajudar os EUA a obter apoio a outras formas de conter Teerã.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.