Ahmad Al-Rubaye/AFP
Ahmad Al-Rubaye/AFP

EUA atacam forças pró-Irã no Iraque e na Síria e matam 25 combatentes 

A ação marca a primeira vez em que os EUA agiram com força militar contra um grupo xiita no Iraque e na Síria desde que as forças americanas retornaram à região em 2014 para lutar contra o Estado Islâmico

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2019 | 18h16
Atualizado 05 de janeiro de 2020 | 00h51

WASHINGTON/BAGDÁ - O Exército americano conduziu neste domingo, 29, bombardeios aéreos contra pontos estratégicos da milícia xiita Kataib Hezbollhah no Iraque e na Síria em resposta ao ataque com míssil que deixou um civil americano morto na sexta-feira. O americano trabalhava como empreiteiro e estava em uma base militar iraquiana. Os bombardeios deixaram 25 combatentes mortos e 51 feridos, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira, 30. 

A ação marca a primeira vez em que os EUA agiram com força militar contra um grupo xiita no Iraque e na Síria desde que as forças americanas retornaram à região em 2014 para lutar contra o Estado Islâmico. Os cinco alvos atingidos incluem três das instalações da milícia no Iraque e duas na Síria. De acordo com o Pentágono, elas eram utilizadas para armazenar armas e também como centros de comando da Kataib Hezbollah.

Um oficial americano, que falou em condição de anonimato, disse que os bombardeios foram conduzidos por jatos F-15E e o ataque foi aprovado pelo presidente Donald Trump no sábado à noite. Oficiais americanos não disseram de onde os aviões decolaram.

Os EUA têm acusado a Kataib Hezbollah de conduzir mais de 30 ataques com mísseis na sexta-feira que mataram o empreiteiro e deixaram quatro militares americanos e dois membros das forças iraquianas feridos perto Kirkuk – uma das ricas cidades de petróleo do país. 

“Em resposta aos repetidos ataques da Kataib Hezbollah contra bases iraquianas que apoiam e recebem as forças da Operação Resolução Inerente (OIR, na sigla inglês, nome da campanha militar dos EUA e aliados contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria), as forças americanas conduziram ataques defensivos precisos que irão reduzir a habilidade da Kataib Hezbollah de conduzir futuros ataques contra as forças da OIR”, disse o porta-voz do Pentágono, Jonathan Hoffman, em um comunicado.

Algumas horas após os bombardeios, quatro mísseis Katiusha caíram perto de uma base americana onde estão alojadas as tropas dos EUA, em Taji, ao norte de Bagdá, sem deixar vítimas. 

Ameaça de Washington

No início deste mês, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, culpou as forças apoiadas pelo Irã de uma série de ataques contra bases no Iraque e alertou aos iranianos que qualquer ataque conduzido por eles ou por seus cúmplices que ferisse americanos ou aliados seria “revidado com uma resposta americana decisiva”. 

As tensões aumentaram entre Teerã e Washington desde o ano passado, quando Trump retirou os EUA do acordo nuclear de Teerã fechado em 2015 com seis potências e ordenou a imposição de sanções que afetaram a economia do Irã.

A Kataib Hezbollah, também conhecida como Brigadas Hezbollah, é uma força separada do principal grupo libanês Hezbollah, e opera sob um guarda-chuvas de milícias alvos de sanções internacionais conhecidas coletivamente como Forças de Mobilização Popular. Muitas delas são apoiadas pelo Irã. 

A Kataib Hezbollah é liderada por Abu Mahdi al-Muhandis, um dos homens mais poderosos do Iraque. No passado, ele já combateu tropas americanas e é agora o vice-presidente das Forças de Mobilização Popular. Em 2009, o Departamento de Estado o associou às Forças Quds da Guarda Revolucionária do Irã, designadas como uma organização terrorista estrangeira por Trump este ano. 

Os EUA mantêm atualmente 5 mil soldados no Iraque. Eles estão no país a convite do governo iraquiano para assistir e dar treinamentos no combate contra o Estado Islâmico. O ataque da milícia e o contra-ataque americano acontece em um mês de inquietação política no Iraque. 

Protestos contra o governo este ano já deixaram quase 600 vítimas, a maioria delas de manifestantes mortos por forças de segurança iraquianas. Os levantes em massa levaram à renúncia do primeiro-ministro Adel Abdul-Mahdi no fim do mês passado. Abdul-Mahdi permanece por enquanto na condição de zelador do país. / REUTERS, AP e AFP

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