EUA atacaram refinarias de petróleo do Estado Islâmico

Os Estados Unidos e seus aliados árabes lançaram uma segunda rodada de ataques aéreos na Síria durante a noite desta quarta-feira, atingindo refinarias móveis de petróleo controladas pelo Estado Islâmico, afirmou o Pentágono. Moradores da região relataram que os militantes radicais já tomavam medidas para evitarem os ataques, movendo-se para áreas civis em cidades no leste do país.

Estadão Conteúdo

24 de setembro de 2014 | 21h30

As aeronaves atingiram 12 refinarias modulares de petróleo localizadas em áreas remotas do leste sírio, afirmou o Departamento de Defesa. Autoridades norte-americanas disseram que as ofensivas recentes tinham como objetivo destruir uma das principais fontes de receita para as forças do Estado Islâmico, que rouba o petróleo das instalações sírias e vende no mercado negro.

Oficiais dos EUA informaram que o dinheiro do petróleo financiou as operações dos insurgentes no Iraque e na Síria. "Nós estamos sufocando a fonte de renda deles", disse uma autoridade norte-americana de alto escalão. O Pentágono estima que o grupo militante lucre até US$ 2 milhões por dia com a venda ilícita de petróleo.

Este foi o segundo dia seguido de ataques na campanha contra a organização radical na Síria. Desde agosto, os EUA também lançam ofensivas aéreas contra o grupo no Iraque.

A série mais recente de ofensivas teve início com um bombardeio coordenado entre os EUA e a Jordânia contra uma área de testes do grupo extremista na fronteira do Iraque. Mais tarde, um ataque muito maior destruiu alvos em diversas localidades controladas pelos militantes.

Segundo autoridades, a participação da Jordânia nas ofensivas desta quarta-feira sinaliza o desejo dos aliados árabes de continuarem a participar dos ataques contra o Estado Islâmico. Os primeiros bombardeios atingiram uma área próxima da fronteira entre o Iraque e a Síria, ao norte da cidade de Al Qa''im, afirmou o Comando Central dos EUA. O território era utilizado para guardar veículos e oito caminhões foram destruídos, informou uma autoridade de defesa.

Oficiais afirmaram que os bombardeios não teriam como alvo campos fixos de petróleo, de forma a minimizar o impacto ambiental. Em vez disso, os norte-americanos alvejaram pequenas refinarias móveis usadas pelo Estado Islâmico no entorno da província de Raqqa, no norte, e outras localidades no leste da Síria.

As refinarias modulares produzem entre 300 e 500 barris de petróleo refinado por dia, afirmou o Departamento de Defesa norte-americano em depoimento. Segundo o Exército, os primeiros indícios sugerem que os ataques foram bem sucedidos.

No leste, as refinarias móveis estão localizadas nas proximidades das cidades de Al-Mayadeen e Albukamal, na província leste de Deir Ezzour e na província vizinha de al-Hasakah, disse o Pentágono. O Estado Islâmico usa as instalações para processar o petróleo extraído dos campos sírios em diesel. Esse combustível é, então, contrabandeado para a Turquia.

A habilidade dos militantes de financiarem suas operações não por meio de doações, mas por meio do petróleo, tornou-os um grupo particularmente perigoso, disseram autoridades norte-americanas. Na primeira rodada de ataques aéreos, os alvos incluíram um edifício usado pelo grupo para controlar suas finanças, um sinal de que a estratégia dos EUA para reduzir o poder do grupo incluiria a destruição de suas fontes de financiamento.

Autoridades dos Estados Unidos informaram que aeronaves pilotadas por duas nações árabes acompanharam os aviões norte-americanos e os países aliados foram responsáveis por metade dos bombardeios. Quando os ataques à Síria começaram no começo desta semana, oficiais dos EUA já haviam dito que jatos de cinco países árabes - Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Catar - dariam assistência às forças norte-americanas. Fonte: Dow Jones Newswires.

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