EUA aumentam pressão por trégua no Oriente Médio

Na mais direta intervenção até agora da administração Bush, o diretor da CIA, George Tenet, conseguiu nesta sexta-feira promover uma reunião entre os chefes de segurança israelenses e palestinos numa tentativa de renovar a cooperação entre eles e consolidar uma trégua de uma semana. Militantes palestinos que acusam Tenet de estar simplesmente querendo dividir os palestinos prometeram não pôr fim à intifada ou levante. Alguns queimaram um boneco representando o chefe da CIA na cidade de Ramallah, Cisjordânia, e exigiram que ele "não iguale o assassino com a vítima". Tenet reuniu-se com chefes de segurança israelenses e palestinos por cerca de três horas em escritórios palestinos, nas proximidades de um cruzamento em Ramallah, onde forças israelenses e atiradores palestinos têm trocado tiros quase todas as sextas-feiras.Nesta sexta-feira, as armas estiveram caladas. Mas cerca de cinco quilômetros ao norte, disparos numa estrada nas proximidades do assentamento judeu de Ofra feriram um israelense, segundo o Exército de Israel. O homem de 27 anos, de Jerusalém, estava em condições sérias, mas estáveis. Também em Ramallah, um garoto palestino levou um tiro nas costas enquanto corria depois de ter jogado uma pedra contra jeeps militares israelenses. Colegas os levaram a um hospital.E 2.000 manifestantes queimaram uma bandeira americana e uma faixa onde se lia: "Tenet go home!" Eles também jogaram gasolina e incendiaram uma maquete de uma discoteca de Tel Aviv onde um atacante suicida a bomba matou 20 israelenses em 1º de junho.Marwan Barghouti, líder da milícia Tanzim, leal ao líder palestino Yasser Arafat, participou do protesto. Abdel-Aziz al-Rantissi, um líder do Hamas na Faixa de Gaza, disse que a visita de Tenet não irá conter o levante e que ela visa apenas dividir o povo palestino. "Esse homem e sua administração estão tentando transformar nossa luta contra os ocupantes sionistas numa luta entre palestinos ao incitar nossos irmãos na Autoridade Palestina a agirem contra seu próprio povo", afirmou al-Rantissi. "Ele não vai conseguir". Soldados israelenses atiraram em palestinos que jogavam pedras contra eles e também feriram dois jovens em Khan Yunis, na Faixa de Gaza. Dois outros foram feridos a tiros pelos soldados no cruzamento de Karni. Um dos jovens estava em condições críticas. Nenhum dos envolvidos na reunião de segurança realizada a portas fechadas conversou com repórteres. Reuniões de segurança anteriores mediadas por americanos de menor hierarquia, a última em 30 de maio, terminaram sem acordos, com cada lado acusando o outro pela violência.Num dos encontros, o chefe de segurança de Gaza, Mohammed Dahlan, e seus guarda-costas ficaram sob fogo israelense. As circunstâncias do incidente não ficaram claras. Dahlan afirma que soldados israelenses dispararam contra sua comitiva sem provocação; Israel garante que suas forças foram alvejadas primeiro.

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