EUA autorizam liberação de ajuda militar para a Colômbia

O Departamento de Estado dos EUA certificou que o Exército colombiano cumpriu as exigências quanto a direitos humanos em três áreas, abrindo caminho para a liberação de US$ 41,6 milhões de ajuda norte-americana em armas e equipamento militar. Para liberar os recursos, o Departamento de Estado precisava confirmar que o Exército colombiano havia suspendido os militares responsáveis por violações graves aos direitos humanos, colaborado com promotores civis em processos de direitos humanos e não havia estreitado laços com gruposparamilitares direitistas. O Congresso americano insistiu nesses pontos quando aprovou a assistência militar para a Colômbia, em dezembro do ano passado. Uma certificação anterior, em maio, garantiu aliberação de US$ 61 milhões.O vice-secretário de Estado, Richard Armitage, aprovou formalmente as exigências cumpridas pela Colômbia, apesar das recomendações em contrário por parte de grupos de direitos humanos.Funcionários do Departamento de Estado explicaram a decisão para representantes desses grupos. Para William Shulz, diretor-executivo da Anistia Internacional, "afirmar que a Colômbia tenha cumprido as exigências na área de direitos humanos é uma farsa". Eleargumentou que o Exército colombiano não fez progressos significativos em nenhuma das três áreas.Um funcionário do Departamento de Estado que falou com os jornalistas sob a condição de anonimato disse que 16 militares colombianos, entre eles seis oficiais, foram suspensos por violações de direitos humanos nos últimos meses. Outros 29 foram destituídos por tentarem encobrir as mortes de dois civis. Adicionalmente, indicou, o general Rodrigo Quiñones foi destituído de seu posto de comando por alegações de que não fez nada para evitar o massacre de 21 civis por uma unidade paramilitar. Indicou que um segundo massacre no qual Quiñones esteve implicado significou a morte de 27 civis. Quanto às unidades paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia ((AUC), o funcionário disse que 416 membros foramdetidos nos primeiros oito meses do ano, em comparação com 590 detidos durante todo o ano passado. Outros 160 morreram em combates, acrescentou. Segundo Shulz, no entanto, os vínculos entre as AUC e o aparato militar ainda persistem.RecompensasEnquanto Washington liberava verba para a defesa Colômbiana, a política do presidente Alvaro Uribe de entregar recompensas monetárias - as "recompensas de segunda-feira" - em troca de informação que permita evitar atentados terroristas e capturar rebeldes, paramilitares ou delinqüentes avança a todo vapor. O comandante da IV Brigada do Exército, general Mario Montoya, entregou vários maços de notas a três pessoas que foram buscar suas recompensas com o rosto encoberto por capuzes por razões de segurança. As quantidades variaram entre os dois milhões de pesos (cerca de US$ 740) e 10 milhões (cerca de US$ 3.700). "As recompensas não têm um montante específico. Primeiro fazemos uma avaliação da informação e, de acordo com os resultados obtidos, elas são pagas", disse Montoya à imprensa nesta segunda-feira na base aérea de Río Negro, no departamento (estado) de Antioquia, no noroeste do país, onde Uribe presidiu a um conselho de segurança. A ministra da Defesa, Martha Lucía Ramírez, esclareceu que as três pessoas contempladas forneceram dados que permitiram "capturar algumas pessoas" que cometiam atos ilegais. Também na oriental cidade de Bucaramanga as autoridades premiaram hoje 14 colaboradores que entregaram dados ao Exército os quais permitiram a libertação de três seqüestrados e a captura de pelo menos 10 guerrilheiros. O comandante da V Brigada, general Jairo Duván, recordou que as recompensas podem ir "de 1 peso até 2 milhões de dólares". Esta última quantia é a que se paga pelo máximo chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Manuel Marulanda, vulgo "Tirofijo" ("Tiro Certo"). Também no balneário caribenho de Cartagena foram distribuídos cinco milhões de pesos a sete colaboradores que possibilitaram evitar um atentado terrorista na semana passada.A política de recompensas do governo visa incentivar uma maior colaboração da cidadania para frear a violência do conflito armado. Mas seus detratores alegam que assim se cria uma "cultura da delação´, que complicará o já deteriorado panorama dos direitos humanos no país.BombaUribe pagava recompensas por delação e guerrilheiros de esquerda e paramilitares de direita estendiam seu controle a bairros antes alheios aos confrontos. Hoje, uma bomba de 180 quilos de explosivos foi desativada por especialistas da polícia perto de uma central elétrica ao sul da cidade colombiana de Medellín, a 260 km a noroeste de Bogotá. O material, fabricado com material explosivo R-1, estava oculto em um caminhão estacionado por desconhecidos perto da central de eletricidade no município de Santa Bárbara, a 20 km ao sul de Medellín.A polícia local informou que a bomba com alto poder destruidor estava escondida entre um carregamento de banana. Na zona urbana da cidade - a segunda maior da Colômbia - ao mesmo tempo, ampliou-se hoje pelos bairros operários a guerra entre grupos armados de esquerda e de direita, apesar dos controles da força pública, informaram fontes locais. A Bolsa de Imóveis indicou que em uma pesquisa organizada pela entidade mostrou 30% dos 2.000 apartamentos de conjuntos habitacionais construídos nas imediações desses bairros operários foram desocupados por seus donos nos últimos meses. Em meio a essa guerra urbana travada em Medellín, são vitimadas pessoas alheias ao conflito. É o caso do estudante de medicina Oscar Darío Tamayo, que morreu ao receber uma "bala perdida". Uma executiva de uma empresa, Estela Franco, também foi ferida no pulmão enquanto esperava um ônibus. Nos confrontos em que as ruas da cidade são utilizadas como campo aberto, com tiroteios à luz do dia, a polícia confirmou que tanto os grupos de esquerda como os de direitausam a metralhadora M-60, que dispara até 600 projéteis por minuto.

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