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EUA autorizam voos comerciais para Cuba

Acordo, que será assinado na terça-feira, permitirá às companhias americanas oferecerem 110 voos diários a 10 cidades

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2016 | 20h46

Empresas aéreas americanas começarão a ter voos comerciais regulares para Cuba até o início do segundo semestre, em um dos mais importantes passos do processo de normalização das relações entre os dois países iniciado em dezembro de 2014. Nos termos de acordo que será assinado em Havana na terça-feira, as companhias poderão oferecer até 110 voos diários para dez cidades da ilha caribenha.

Linhas regulares entre os dois países estão suspensas há mais de 50 anos, em razão do rompimento de relações diplomáticas e a imposição do embargo econômico dos EUA contra Cuba. Atualmente, o transporte aéreo entre as duas nações é feito por voos charters, que poderão continuar. Companhias cubanas não oferecerão voos para os Estados Unidos, mas estarão autorizadas a fechar acordos de codeshare com empresas aéreas americanas.

A partir de terça-feira, as companhias dos EUA terão 15 dias para pedir licenças que permitem a oferta de voos para Cuba. Depois disso, as autoridades terão um mês para responder às solicitações. As que conseguirem o sinal verde deverão obter o aval do governo cubano. Integrantes da administração Barack Obama acreditam que os voos estarão em operação no outono do Hemisfério Norte, que começa em setembro.

Não há garantia de que o limite de 110 voos diários será atingido, mas as novas linhas levarão a um aumento significativo no fluxo de pessoas entre os EUA e Cuba. Atualmente, há entre 10 e 15 voos charters entre os dois países a cada dia.. “Expandir as viagens entre os dois países é um elemento chave da política mais ampla do presidente de normalizar as relações entre os dois países” afirmou o  secretário assistente de Assuntos de Transportes do Departamento de Estado, Thomas Engle, em conferência telefônica com jornalistas. “Isso leva ao aumento do contato entre as pessoas e facilita o entendimento mútuo.”

Segundo ele, continuarão em vigor as restrições às viagens de cidadãos americanos para a ilha. Apesar de elas terem sido flexibilizadas, está mantida a proibição de turismo. Cidadãos dos EUA podem ir a Cuba dentro de 12 categorias, entre as quais estão razões religiosas, educacionais e o vago “intercâmbio entre pessoas”.

O aumento do contato entre cubanos e americanos é um dos elementos centrais da política de aproximação entre os dois países anunciada em dezembro de 2014 por Obama e o presidente cubano, Raúl Castro. Para a ilha, os voos comerciais também representam um aumento de receita com gastos de estrangeiros no país. Engle observou que várias companhias aéreas já manifestaram interesse em ter voos comerciais regulares entre os EUA e Cuba.

O acordo sobre aviação comercial será assinado na terça-feira em Havana pelo secretário de Transportes americano, Anthony Foxx, e seu contraparte cubano. “Deixando de lado diferenças políticas, há muitas conexões culturais entre os dois países, em alguns casos conexões familiares, e a possibilidade de haver intercâmbios educacionais e coisas que acontecerão em razão da retomada desse serviço é algo muito, muito significativo”, disse Foxx em entrevista à CNN.

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