REUTERS/Joshua Roberts
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EUA avaliam ação militar para frear programa nuclear norte-coreano

Washington considera que sanções são insuficientes para reduzir tensão, em alta desde que Coreia do Norte testou quatro mísseis

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 05h00

Convencido de que a aplicação de sanções é insuficiente para enfrentar a ameaça nuclear norte-coreana, o governo dos EUA começou a explorar caminhos alternativos e disse que entre as opções está o uso de força militar contra Pyongyang. O tema estará no centro da agenda da visita que o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, fará a Japão, Coreia do Sul e China na próxima semana. 

A tensão na região aumentou nos últimos dias com o teste de mísseis balísticos pela Coreia do Norte na segunda-feira, o início de exercícios militares conjuntos de EUA e Coreia do Sul na semana passada e a entrega a Seul de um sistema americano de defesa antimísseis, cuja instalação enfrenta ferrenha oposição de Pequim. 

Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou que os EUA e a Coreia do Norte são como dois trens que avançam em alta velocidade na direção um do outro. “A questão é: os dois lados estão realmente prontos para uma colisão frontal?”

Wang propôs que a Coreia do Norte suspenda os testes, que os EUA interrompam os exercícios militares e ambos voltem à mesa de negociação. Mas o governo americano rejeitou ontem o abandono das manobras conjuntas com a Coreia do Sul.

“Não retiramos nenhuma opção da mesa”, disse uma alta autoridade do Departamento de Estado, em referência à nova estratégia que está sendo debatida pelo governo de Donald Trump. Segundo ele, o avanço do programa nuclear norte-coreano é uma ameaça crescente não só para a região, mas para os EUA. “Isso muda a conversa.”

Pressa. Existe a percepção em Washington de que a janela de oportunidade para impedir que a Coreia do Norte seja capaz de lançar bombas nucleares contra os EUA está se fechando rapidamente, dando urgência à busca de um caminho alternativo para enfrentar a situação. “Eles ainda não podem nos atingir”, disse Bruce Bennett, da consultoria Rand Corporation, em entrevista à rede ABC. “Mas eles estão a apenas meses ou poucos anos de serem capazes disso. Está ficando muito perigoso.”

Apesar da retórica de Washington, a possibilidade de um ataque americano contra a Coreia do Norte é remota na avaliação de Stephan Haggard, diretor do programa Coreia-Pacífico da Universidade da Califórnia em San Diego. “A principal dificuldade é a geografia de Seul, que está a 50 km da fronteira e poderia ser atingida por artilharia norte-coreana.”

Em sua opinião, a atividade nuclear de Pyongyang tem um caráter defensivo e não levaria a um ataque contra Japão ou Coreia do Sul. Ainda assim, seria politicamente difícil para o governo Trump aceitar uma situação na qual o país tenha capacidade de atingir bases americanas no Japão, observou. 

Para Haggard, o problema mais imediato para Tillerson é a resistência chinesa à instalação do sistema antimísseis na Coreia do Sul. Sem isso, ressaltou, será difícil obter o envolvimento pleno de Pequim na busca de uma solução para o programa nuclear norte-coreano.

A China sustenta que o sistema antimísseis desencadeará uma corrida nuclear na Ásia e teme que ele seja usado na espionagem de suas atividades militares. Tillerson será o primeiro integrante do gabinete de Trump a visitar Pequim. O secretário de Defesa, James Mattis, esteve na Ásia no início de fevereiro, mas passou apenas por Japão e Coreia do Sul.

 

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