EUA avaliarão casos de presos cubanos que queiram viver no país

Segundo Departamento de Estado, alguns dos 26 presos na Espanha querem morar nos EUA

Efe,

23 de agosto de 2010 | 18h24

WASHINGTON- O Departamento de Estado norte-americano afirmou nesta segunda-feira, 23, que avaliará "caso por caso" os pedidos dos presos políticos cubanos libertados que queiram viajar da Espanha aos Estados Unidos para morar neste país.

 

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O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, confirmou hoje que a secretária de Estado, Hillary Clinton, conversou por telefone no sábado com o ministro de Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, a quem expressou a disposição de Washington em acolher libertados cubanos que queiram viver nos Estados Unidos.

 

Segundo Crowley, "alguns" dos 26 presos cubanos que já estão na Espanha desejam viver nos EUA, e seus casos serão avaliados "um por um". Aproveitando a oportunidade pra pressionar novamente Cuba a "libertar todos os presos de consciência", o porta-voz explicou que o Departamento de Estado "está trabalhando ao lado do Departamento de Segurança Nacional para encontrar a maneira mais rápida de administrar qualquer solicitação que essas pessoas façam".

 

O funcionário também admitiu que o trâmite de enviar os presos libertados a partir da Espanha é mais complicado do que se eles já tivessem chegado diretamente aos Estados Unidos.

 

"Não há dúvidas de que ao viajar aos EUA partindo de Cuba através de um terceiro país trata-se de um processo mais complicado, mas não impede ninguém de chegar aos Estados Unidos", disse.

 

O país aplica a política de "pés secos/pés molhados", que estabelece que os cubanos que conseguem chegar a território americano podem ficar no país, enquanto os interceptados no mar, mesmo a poucos metros da costa dos EUA, devem ser devolvidos a Cuba.

 

O governo de Cuba anunciou no início de julho que libertaria 52 presos políticos em um prazo máximo de quatro meses como resultado do processo de diálogo aberto com a Igreja Católica cubana e apoiado pela Espanha.

 

Os dissidentes presos são os remanescentes dos 75 presos na onda repressiva da Primavera Negra de 2003. Eles cumpriam até 28 anos de prisão. Já foram libertados 26 presos deste grupo, que embarcaram para a Espanha com suas famílias.

 

A Comissão Cubana de Direitos Humanos, um órgão independente, mas tolerado pelo regime, disse que após a libertação dos 52 dissidentes ainda restarão cerca de 100 presos políticos na ilha. A cifra, no entanto, é contestada por outros órgãos, como a Anistia Internacional, segundo a qual só restará em Cuba um "preso de consciência."

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