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EUA baixam tom com regimes duros

Critério diplomático já não leva em conta grau de democracia, mas a capacidade de prover bem-estar a cidadãos

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

Na sexta-feira, o presidente americano, Barack Obama, divulgou uma mensagem para o Irã em comemoração ao ano-novo persa. No vídeo, ele ignorou questões espinhosas e destacou um futuro positivo de "maior cooperação entre os dois povos ". Há duas semanas, vazou para a imprensa que Obama enviou uma carta calorosa ao presidente russo, Dmitri Medvedev, acenando com uma reaproximação EUA-Rússia - e nenhuma palavra sobre esferas de influência, Geórgia ou direitos da imprensa. No mês passado, a secretária de Estado, Hillary Clinton, deixou claro que o desrespeito aos direitos humanos na China não vai interferir nas relações sino-americanas. As primeiras iniciativas diplomáticas de Obama mostram um estilo bem diferente em relação ao do governo de George W. Bush. Não se trata apenas do "smart power" (poder inteligente) e da menor militarização da política externa, anunciados por Hillary no Congresso. A Casa Branca deixou de promover agressivamente a democracia liberal no mundo e de tentar converter os países para o padrão de governo ocidental. Obama vem seguindo um estilo consistente com a "Regra da Autonomia", linha diplomática que ganha força em Washington. "Rússia, China e Arábia Saudita estão longe de serem regimes democráticos, mas faz sentido para os EUA se aproximarem desses países", disse ao Estado Charles Kupchan, professor da Universidade Georgetown. "Precisamos parar de insistir na democracia liberal como o conceito que define o sistema internacional." Segundo Kupchan, outros países não querem simplesmente abraçar o modelo propagado por EUA, Japão e Grã-Bretanha, mas nem por isso devem ser isolados. "Não importa se os países são democráticos ou não, o que importa é se proporcionam bem-estar a seus cidadãos, seja da maneira que for. China e Rússia são governadas por instituições não democráticas, mas, no sentido amplo, ainda são Estados que dão bem-estar a seus cidadãos", explica Kupchan. "Países como Paquistão, Afeganistão e Somália estão em uma zona cinzenta, por causa do caos político que os domina. Já Zimbábue, Coreia do Norte, Sudão e Mianmar não podem ser incluídos no sistema internacional, porque estão longe de proporcionar bem-estar a seus cidadãos."A Regra da Autonomia foi lançada pelo professor Kupchan e seu coautor, Adam Mount, no influente jornal Democracy. "Os neoconservadores queriam destruir as nações não democráticas; os neoliberais queriam seduzi-las e trazê-las para a rede de democracias", diz Kupchan, ex-integrante do Conselho de Segurança no governo Clinton. "Existe um meio-termo."Segundo ele, potências emergentes como Rússia, China, Brasil e Índia querem moldar suas próprias instituições e não apenas se adaptar ao modelo de democracia liberal na medida em que se tornam mais ricas. "Rússia, China, Brasil e Indonésia não vão simplesmente se sentar à nossa mesa", diz. "Precisamos achar uma nova mesa."Neste sentido, diz o professor, o Brasil tem um papel importante. "Os EUA enfrentam duas guerras e uma crise econômica. É necessário que passemos para países emergentes parte de sua responsabilidade, para aliviar nosso fardo", afirma. "O Brasil tem sido bastante assertivo na formação de outros polos de liderança, o que é consistente com nossa meta." TEORIACharles KupchanAutor da ?Regra da Autonomia "China e Rússia são governadas por instituições não democráticas. No entanto, no sentido amplo, são Estados que proporcionam bem-estar a seus cidadãos""O Brasil tem sido bastante assertivo na formação de outros polos de liderança, o que é consistente com nossa meta"

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