EUA baixam tom de exigências à Rússia

Depois de ver suas exigências solenemente ignoradas pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, o governo dos Estados Unidos diminuiu nesta terça-feira da pressão para que o ex-agente Edward Snowden seja expulso da área de trânsito do aeroporto de Moscou e entregue a autoridades norte-americanas.

AE, Agência Estado

25 Junho 2013 | 20h57

Em um comunicado sóbrio, a Casa Branca pede a ajuda da Rússia para capturar Snowden, mas sem nenhuma espécie de ameaça em relação ao futuro das relações diplomáticas entre Washington e Moscou caso o ex-agente terceirizado da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) consiga escapar.

O tom da nota dirigida à Rússia foi bem diferente da abordagem adotada um dia antes contra a China, que não impediu a fuga de Snowden de Hong Kong para Moscou ao invés de viabilizar sua deportação para os EUA.

Assumidamente responsável pelo vazamento de informações sobre dois programas ultrassecretos de vigilância eletrônica de cidadãos norte-americanos e estrangeiros, Snowden é acusado pelo governo dos EUA e de "espionagem" e "roubo de propriedade do governo".

Na Arábia Saudita, onde protagoniza visita oficial, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu "calma e razoabilidade".

Mais cedo, Putin rejeitou sem rodeios os pedidos dos EUA para extraditar Edward Snowden. Putin disse que Snowden é livre para viajar para onde queira e afirmou que as agências de segurança russas não entraram em contato com ele.

Snowden está na zona de trânsito do aeroporto de Moscou e não passou pela imigração russa, declarou Putin, o que significa que, tecnicamente, ele não está na Rússia.

Após chegar a Moscou no domingo num voo procedente de Hong Kong, Snowden reservou um assento num voo que foi para Havana na segunda-feira. Acreditava-se que ele passaria pela Venezuela e então seguiria para um possível asilo no Equador, mas ele não embarcou no avião.

Desde então, o paradeiro de Snowden é um mistério. As declarações de Putin foram a primeira vez que a Rússia deixou claro que sabe onde ele está. Há muitas especulações de que as agências de segurança russas podem querer manter Snowden na Rússia para obter mais informações dele, mas Putin negou essa possibilidade.

"Nossos serviços especiais nunca trabalharam com o senhor Snowden e não estão trabalhando com ele atualmente", disse Putin em entrevista coletiva concedida durante visita à Finlândia. Putin disse que como não há acordo de extradição com os Estados Unidos, seu país não pode atender o pedido.

"O senhor Snowden é um homem livre e quanto mais cedo ele decidir seu destino final, melhor é para nós e para ele", afirmou ele. "Eu espero que isso não afete as características comerciais de nossas relações com os Estados Unidos e eu espero que nossos parceiros compreendam isso."

Snowden era funcionário da CIA e, posteriormente, foi contratado por uma empresa que presta serviços para o governo norte-americano. Nessa função, ele obteve acesso aos documentos que entregou aos jornais The Guardian e The Washington Post. Fonte: Associated Press.

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