EUA: Biden e Ryan discutem economia e política externa

Os candidatos a vice-presidente dos Estados Unidos, o congressista e republicano Paul Ryan e o atual vice-presidente Joe Biden, fizeram na noite da quinta-feira em Danville, no Estado do Kentucky, um debate mais agressivo que o primeiro realizado entre o presidente Barack Obama e o republicano Mitt Romney em 3 de outubro. O debate foi mediado pela jornalista Martha Raddatz, da emissora ABC News. Ryan, de 42 anos, pareceu seguro em temas como política externa, que foi bastante discutida, e atacou bastante o presidente Obama.

ANDRÉ LACHINI (AE), Agência Estado

12 de outubro de 2012 | 00h32

O experiente Biden, de 70 anos, parecia um pouco mais nervoso e várias vezes interrompeu o interlocutor. Biden não se intimidou e não pareceu apático como Obama no primeiro debate com Romney, rebatendo várias críticas do republicano. Ele lembrou pelo menos três vezes o comentário feito por Romney, de que 47% dos norte-americanos não conduzem as próprias vidas e dependem do governo.

O debate começou com temas pesados como a destruição do consulado norte-americano em Benghazi, no leste da Líbia, o programa nuclear do Irã e o Oriente Médio. Os dois depois discutiram o programa de saúde Medicare do governo americano, a previdência, a situação da economia e a geração de empregos.

A jornalista Martha Raddatz começou perguntando se a destruição do consulado dos EUA no leste da Líbia, na noite de 11 de setembro, e as mortes dos diplomatas foram um fracasso da inteligência dos EUA. Ryan disse que sim e desfechou um ataque forte à política externa de Obama. Biden disse que os EUA "encontrarão e levarão os homens que fizeram aquilo na Líbia à Justiça. Vamos caçar vocês até as portas do inferno", disse.

Ryan criticou a postura do governo na reação à morte do embaixador norte-americano Christopher Stevens, assassinado em Benghazi. "Demorou duas semanas para o presidente Obama perceber que aquilo foi um ataque terrorista. Infelizmente, o que aconteceu em Benghazi faz parte de um problema maior, o fracasso de Obama na política externa", disse Ryan. Segundo ele, os "cortes na defesa" feitos por Obama foram "devastadores".

Biden respondeu e disse a Ryan que ele cortou "US$ 300 milhões para a segurança nas embaixadas", quando era dirigente do Comitê do Orçamento na Câmara dos Representantes.

Ryan insistiu que a administração de Obama fracassou no evento, quando acreditou que foi o filme "A Inocência dos Muçulmanos" que provocou a fúria da multidão no leste da Líbia. "O dia era o aniversário do 11 de setembro. Estamos falando da Líbia, onde existem células da Al-Qaeda".

Logo depois, os dois falaram sobre o Irã. Ryan disse que o governo Obama foi leniente e atrasou a adoção de sanções e embargos econômicos contra o Irã. Ele disse que um Irã como armas nucleares seria pior que outra guerra no Oriente Médio. Segundo ele, a administração Obama "não tem credibilidade" na questão iraniana. Já a de Romney "terá credibilidade". "As sanções contra o Irã são as mais esmagadoras já feitas", rebateu Biden. "Você quer ir à guerra?" questionou o vice-presidente. "Eu quero evitar uma guerra", afirmou Ryan.

Medicare e empregos - Logo depois, Raddatz direcionou o debate para a previdência e a economia. Biden criticou o plano dos republicanos para o Medicare e também o projeto para a previdência social. Biden disse que os republicanos planejam privatizar a previdência. Biden também defendeu a reforma de saúde parcialmente executada pelo presidente Barack Obama desde 2009. "Nós salvamos US$ 700 bilhões do Medicare" evitando fraudes e desperdícios com seguradoras de saúde, afirmou o vice-presidente "Ele sabe disso, que cada paciente custava milhares de dólares a mais para o governo", disse Biden, falando para Ryan. O vice-presidente acusou Ryan e Romney de planejarem a privatização da seguridade social americana.

"Nós não vamos privatizar a seguridade social", disse Biden. Questionado sobre se iria privatizar a previdência, Ryan disse que o plano, na era do presidente George W. Bush, era privatizar a previdência "só para os jovens. Eles teriam a escolha", disse Ryan. O congressista republicano retirou o projeto do Congresso em 2011. "Não é verdade" que os jovens teriam escolha, disse Biden. Já Ryan criticou várias vezes a reforma da saúde, a qual chamou ironicamente de "Obamacare". Ryan disse que Obama e Biden planejam aumentar os impostos para a classe média e para as pequenas empresas.

Biden defendeu a Casa Branca na primeira pergunta sobre economia no debate. Ele e Ryan foram questionados sobre quanto tempo levará para o governo reduzir a taxa de desemprego para menos de 6% da força de trabalho (atualmente está ao redor de 8,5%).

Biden disse que não sabe quanto tempo levará, mas então atacou os comentários feitos por Romney, colega de chapa de Ryan e candidato a presidente. Ele mencionou o comentário de que 47% dos norte-americanos vivem dos benefícios do governo.

Ryan, parecendo mais calmo, disse que a recuperação da economia tem sido inadequada. "Isso não se parece com uma recuperação verdadeira", afirmou, sobre a política econômica de Obama e a situação atual dos EUA. Os dois candidatos evitaram uma resposta direta à pergunta de Martha Raddatz, de quanto tempo levará para baixar o desemprego para menos de 6% da força de trabalho. Ryan atacou o plano de cinco pontos de Obama e dos democratas para a recuperação econômica.

Segundo ele, o plano de Romney e dos republicanos criará 3 milhões de empregos no setor de energia, mas nas refinarias e nos investimentos em petróleo e gás natural, não em energias alternativas. Ryan atacou particularmente os projetos dos democratas de criarem milhões de empregos na indústria de energia renovável. "Onde estão os milhões de empregos verdes?" que Obama prometeu criar em 2008, questionou Ryan.

Nos comentários finais, os candidatos voltaram a trocar ataques. Enquanto Biden pediu o voto dos eleitores e lembrou o desastrado comentário feito por Romney sobre os 47% dos norte-americanos, Ryan defendeu Romney e disse que o presidente Barack Obama fracassou na economia e mergulhou os EUA na pobreza e no endividamento.

"Meu amigo aqui diz que 30% dos americanos não têm a responsabilidade pelas suas vidas, enquanto Romney diz que são 47%. Meus pais não eram assim, a maioria dos americanos não é assim", disse Biden.

Já Ryan disse que Obama "fracassou em criar os empregos. Pelo menos 15% dos americanos estão na pobreza. Mitt Romney quer criar empregos. Obama apenas emprestou e gastou mais dinheiro. Nós tomaremos a responsabilidade. A escolha está com vocês", disse o republicano.

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