REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

EUA bloqueiam US$ 500 milhões de vice-presidente chavista

Washington acusa Tareck El Aissami de narcotráfico; sanções aumentam pressão internacional sobre governo de Nicolás Maduro

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2017 | 05h00

Os EUA congelaram US$ 500 milhões em dinheiro e ativos atribuídos ao vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, e a Samark Lopez Bello, apontado como seu testa de ferro. O bloqueio reforça a pressão que Washington exerce sobre o governo de Nicolás Maduro na tentativa de forçá-lo a respeitar a oposição, convocar eleições e libertar presos políticos.

“Os recursos passaram a ser bloqueados em fevereiro, quando o Departamento do Tesouro designou El Aissami como narcotraficante internacional”, disse Michael Fitzpatrick, subsecretário assistente para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado. Segundo ele, os ativos são fruto do tráfico de drogas e de corrupção.

Na quarta-feira, os EUA anunciaram sanções a 13 indivíduos ligados ao governo de Maduro. Entre eles, estão os responsáveis pela organização da eleição da Assembleia Constituinte, marcada para amanhã. Os EUA e 12 países da região condenaram a consulta e afirmaram que ela levará à concentração de poderes nas mãos de Maduro.

Nesta sexta-feira, o vice-presidente americano, Mike Pence, conversou por telefone com o líder opositor Leopoldo López, que está em prisão domiciliar. Segundo relato divulgado pela Casa Branca, Pence afirmou que os EUA imporão sanções econômicas caso o governo Maduro mantenha a votação de amanhã. 

Até agora, Washington adotou sanções contra indivíduos, as primeiras das quais em 2015, ainda no governo de Barack Obama. Em maio, foram anunciadas medidas contra o presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Maikel Moreno, e sete integrantes da câmara constitucional da corte envolvidos na decisão que usurpou poderes da Assembleia Nacional.

Na quarta-feira, autoridades americanas alertaram que as 545 pessoas que serão eleitas para a Constituinte também estarão sujeitas a sanções caso assumam os cargos. A penalidade é o congelamento de bens que tenham nos EUA, a proibição de entrar em território americano e o veto a qualquer transação com residentes no país.

Em consulta promovida pela oposição, há duas semanas, 7,6 milhões de venezuelanos se manifestaram contra a convocação da Constituinte. A expectativa é que ela seja totalmente controlada pelo governo.

O congelamento dos ativos de El Aissami são resultado de uma investigação de anos sobre tráfico de drogas e não fazem parte das sanções adotadas pelos EUA em razão da situação política da Venezuela. Ainda assim, a medida aumenta a pressão sobre Maduro e foi mencionada durante o anúncio das novas sanções, na quarta-feira.

El Aissami assumiu o cargo de vice-presidente em janeiro. Antes, ele havia sido governador do Estado de Aragua e comandou o Ministério do Interior e Justiça no governo de Hugo Chávez. Seu nome está na lista de procurados da Interpol.

Segundo os EUA, El Aissami facilitou o transporte de drogas a partir de bases aéreas e portos da Venezuela e supervisionou múltiplos carregamentos de mais de uma tonelada de narcóticos, alguns dos quais destinados aos EUA.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.