EUA bloqueiam verificação de armas biológicas

Apesar de insistir que o governo de Iraque deve aceitar as inspeções da ONU, os Estados Unidos continuam bloqueando a tentativa da comunidade internacional de criar um mecanismo para verificar a produção de armas biológicas no mundo. Na próxima segunda-feira, a ONU se reúne em Genebra para tratar do assunto, mas por pressão de Washington, um debate sobre a criação de organismo de verificação somente poderia ser feito a partir de 2006.No ano passado, os países estiveram próximos de um acordo para a criação de um instrumento que possibilitasse que a produção de armas biológicas fossem monitoradas pela ONU. Esse tipo de arma já era proibido desde 1972, mas até agora a comunidade internacional não havia debatido formas para controlar e punir os países que as produzissem.Em novembro do ano passado, às vésperas da adoção do mecanismo, os Estados Unidos declararam que não aceitariam que suas empresas fossem fiscalizadas por funcionários internacionais. A Casa Branca alegou que segredos comerciais poderiam ser roubados.Segundo ongs, os Estados Unidos seriam responsáveis por 70% da produção mundial de agentes biológicos que potencialmente poderiam ser usados em armamentos.A rejeição por um sistema de controle ficou ainda mais forte depois que o brasileiro José Maurício Bustani tentou dar um perfil mais atuante à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), organismo que servia de modelo para os especialistas em armas biológicas. O brasileiro acabou sendo afastado do cargo.Agora, diante da recusa de Washington de tratar do assunto pelo menos até 2006, a ONU tentará organizar reuniões anuais apenas para debater aspectos secundários relacionados às armas biológicas.

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