EUA bombardeiam campos de treinamento do EI na Síria

EUA bombardeiam campos de treinamento do EI na Síria

Ataques americanos contra alvos do grupo extremista começaram na segunda; grupo opositor sírio diz que mais de 50 jihadistas morreram

O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 10h21

BEIRUTE - Os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados árabes, realizaram ataques aéreos e com mísseis contra alvos do grupo Estado Islâmico (EI), incluindo campos de treinamento, bases e suprimentos de armas no norte e leste da Síria nesta terça-feira, 23, disseram militares americanos e um grupo de monitoramento do conflito.

Os ataques dos EUA também tiveram como alvo, separadamente, o grupo Frente Nusra, filiado à Al-Qaeda, no norte da Síria. Segundo o grupo de monitoramento Observatório Sírio para os Direitos Humanos, mais de 50 jihadistas morreram nos bombardeios.

O Exército americano afirmou em um comunicado que "múltiplos alvos (do EI) foram destruídos ou danificados" em torno das cidades de Raqqa, Deir al-Zor, Hasakah e da localidade fronteiriça de Albu Kamal.

Os EUA iniciaram os ataques aéreos na segunda-feira, na primeira intervenção militar americana na guerra civil iniciada no país há três anos e meio. O rápido avanço do EI na Síria e no Iraque forçou Obama a agir em um conflito do qual se manteve distante, apesar das pressões para que desse apoio aos rebeldes que combatem o regime de Bashar Assad.

No dia 11 de setembro, o presidente americano anunciou que autorizaria incursões militares na Síria para conter a ofensiva do grupo extremista, o que indiretamente pode beneficiar Assad.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, afirmou que a decisão de iniciar os ataques foi adotada pelo Comando Central dos EUA, após autorização do presidente. Os EUA devem enfrentar questionamentos sobre a legalidade da ação, já que a intervenção ocorre em um Estado soberano.

A operação é diferente da realizada no Iraque, já que Bagdá solicitou apoio americano para conter o avanço do EI. Não há indicação de que Assad tenha pedido a intervenção.

Ameaça. Em resposta à ofensiva internacional, o EI orientou na segunda seus seguidores a atacar cidadãos dos países que fazem parte da coalizão liderada pelos EUA para combatê-lo. O porta-voz do grupo, Abu Mohamed al-Adnani, provocou Obama e outros líderes ocidentais, em um comunicado na web monitorado pela empresa de segurança Site, dizendo que suas forças enfrentariam uma derrota inevitável. Adnani disse que a intervenção militar seria a "campanha final dos cruzados", de acordo com a transcrição publicada pela Site.

A decisão de atacar os jihadistas na Síria foi tomada após 130 mil refugiados sírios cruzarem a fronteira com a Turquia nos últimos cinco dias. Segundo o Alto Comissariado de Refugiados da ONU (Acnur), trata-se do maior fluxo de refugiados registrado em tão curto período em décadas.

O fluxo de refugiados elevou a tensão na fronteira e, no domingo, forças de segurança turcas entraram em confronto com curdos que protestavam em solidariedade aos refugiados. Alguns curdos estariam tentando ir para a Síria para lutar contra o EI. / NYT e REUTERS

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