STR / AFP
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EUA bombardeiam grupo Taleban quatro dias após assinatura de acordo

Ataque da Força Aérea americana é uma resposta à ofensiva do grupo rebelde contra forças do governo afegão.

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 09h53

CABUL - A Força Aérea dos Estados Unidos bombardeou nesta quarta-feira, 4, um grupo de talebans que atacava as forças de segurança do governo do Afeganistão na província de Helmand, no sul do país. O ataque acontece quatro dias depois da assinatura de um acordo entre americanos e rebeldes para a retirada das tropas dos EUA do país.

O bombardeio é uma resposta a um ataque rebelde que matou pelo menos 20 soldados e policiais afegãos nesta quarta, e aconteceu horas depois de uma conversa telefônica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder político do Taleban, o mulá Barada.

"As forças dos Estados Unidos executaram um bombardeio em Nahr-e Saraj, em Helmand, contra os combatentes talebans que atacavam as forças de segurança afegãs. Foi um bombardeio defensivo", anunciou no Twitter o coronel Sonny Leggett, porta-voz das Forças Armadas americanas no Afeganistão.

"Pedimos aos talebans que cessem os ataques e respeitem seus compromissos. Como demonstramos, defenderemos nossos aliados quando necessário", completou, em referência às forças governamentais afegãs.

"Combatentes talebans atacaram pelo menos três postos do exército no distrito de Imam Sahib, em Kunduz, e mataram 10 soldados e quatro policiais", afirmou Safiullah Amiri, integrante do Conselho Provincial de Kunduz (norte).

Além disso, seis policiais morreram e sete foram feridos pelos talebans em Tarinkot", localidade da província de Uruzgan (sul), informou Zergai Ebadi, porta-voz do governador.

Fim do acordo?

O acordo assinado por EUA e o Taleban neste sábado, 29, em Doha, no Catar, foi visto como um grande passo na relação entre os dois países. O governo dos Estados Unidos se comprometeu com uma retirada completa do Afeganistão no prazo de 14 meses em troca, entre outras coisas, do início de um diálogo entre afegão incluindo o governo, a oposição, a sociedade civil e os próprios talebans.

Desde a assinatura, no entanto, os insurgentes retomaram a ofensiva contra as forças de segurança afegãs - mas não contra as forças estrangeiras - e encerraram uma trégua parcial de nove dias.

Nesta quarta-feira, porém, o coronel Legget advertiu que "enquanto o governo afegão e os Estados Unidos cumprem seus compromissos, os talebans tentam desperdiçar esta oportunidade e ignoram o desejo de paz do povo afegão".

O acordo de Doha, que não foi ratificado pelo governo afegão, afirma que o cessar-fogo é apenas um dos elementos das futuras negociações, mas não uma condição para que possam acontecer.

Desta maneira, o texto não é um acordo de paz propriamente dito porque as autoridades afegãs, divididas após as criticadas eleições presidenciais, continuam à margem das conversações.

O Afeganistão virou a base da Al-Qaeda após a vitória do Taleban em 1996 e, a partir desse território, a organização que era liderada por Osama Bin Laden planejou os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, que precipitaram a guerra e a invasão em outubro de 2001 por Washington e seus aliados.

Desde que foram expulsos do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, os rebeldes travam um confronto de guerrilha no país.

Entre 32.000 e 60.000 civis afegãos morreram no conflito, segundo a ONU, além de 1.900 militares americanos.

Desde a assinatura do acordo, o Taleban proclamam "vitória" contra os Estados Unidos./ AFP

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