EUA bombardeiam posições de grupo radical islâmico no norte do Iraque

Os Estados Unidos fizeram ontem três séries de ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) nas proximidades de Irbil, nordeste do Iraque, com o objetivo de proteger civis e militares americanos que estão na cidade.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 02h00

Segundo o Pentágono, os bombardeios provocaram a morte de jihadistas e a destruição de granadas de morteiro, equipamento de artilharia e um comboio de sete veículos.

Foram as primeiras incursões militares dos EUA no Iraque desde o fim oficial da guerra no país, em 2011. O presidente americano, Barack Obama, autorizou as operações na noite de quinta-feira, em reação ao rápido avanço do Isil.

No último fim de semana, os jihadistas avançaram sobre a Região Semiautônoma do Curdistão, provocando um êxodo de 200 mil pessoas que temem ser mortas pelo Isil. Milhares delas se refugiaram em montanhas próximas de Sinjar, onde estão cercadas pelos rebeldes. Na quinta-feira, dois aviões americanos lançaram sobre a região água e alimentos suficientes para 8 mil pessoas.

O primeiro ataque a posições do Isil foi realizado às 7h45 (horário de Brasília) por dois caças F/A-18, que dispararam 250 quilos de bombas guiadas por laser contra uma unidade de artilharia móvel do grupo. De acordo com o Pentágono, o equipamento destruído estava sendo utilizado no ataque a forças curdas que defendiam a cidade de Irbil.

Às 11 horas houve nova ofensiva, conduzida por um drone que atingiu uma base de lançamento de granadas de morteiros e um grupo de jihadistas. O terceiro ataque ocorreu às 12h20, quando quatro caças F/A-18 atingiram um comboio nas proximidades de Irbil.

Os ataques representam uma mudança significativa na posição de Obama, que condicionava a intervenção militar no Iraque a reformas políticas que aumentem a representatividade do governo, comandado pelo primeiro-ministro xiita Nuri Al-Maliki. Na avaliação da Casa Branca, a administração de Maliki alienou os sunitas e aprofundou o conflito sectário que permeia a dinâmica política no Oriente Médio.

No pronunciamento que fez na quinta-feira à noite, Obama disse que as operações têm dois objetivos definidos e limitados: proteger funcionários americanos e dar apoio a forças iraquianas para romper o cerco do Isil aos milhares de civis da minoria yazidi nas montanhas de Sinjar.

O presidente ressaltou que a ofensiva não envolve a entrada de tropas em solo iraquiano e não representa o retorno dos Estados Unidos à guerra no Iraque, que durou nove anos e provocou a morte de 4,4 mil soldados americanos.

A ofensiva também foi justificada pelos EUA com o argumento de que há uma catástrofe humana nas montanhas de Sinjar e o risco de massacre de minorias religiosas.

"A campanha de terror do Isil contra inocentes, incluindo minorias yazidi e cristãs, e seus atos grotescos e seletivos de violência trazem todas as marcas e sinais de alerta de genocídio", declarou o secretário de Estado americano, John Kerry. Os yazidis são considerados apóstatas pelo Isil e há relatos de assassinato de centenas de homens seguidores da religião.

Em entrevista à CNN, Brett McGurk, responsável por Iraque e Irã no Departamento de Estado, disse que a ofensiva não quer derrotar o Isil, mas atingir objetivos definidos por Obama.

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