EUA buscam acordo de livre comércio com América Central

O presidente George W. Bush anunciou nesta quarta-feira que os Estados Unidos ?vão explorar um acordo de livre comércio com a América Central?, e estão ?determinados a completar as negociações? sobre a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) até 2005. Disse também que a crise da Argentina ?não mudou em nada a realidade ... de que o desenvolvimento sustentado depende de economias com base no mercado, políticas fiscais e monetárias sólidas e um comércio mais livre entre as nações?. Em seu primeiro discurso sobre a região desde os ataques de 11 de setembro, Bush, que chegou à Casa Branca há um ano prometendo colocar a América Latina no topo da agenda de política externa dos EUA, deixou clara a preocupação de sua administração diante das implicações políticas e econômicas potenciais da crise argentina, da evolução negativa da situação interna na Venezuela e na Colômbia, bem como do recrudescimento do protecionismo. Depois de dizer que as nações das Américas ?estão determinadas... e comprometidas a construir um hemisfério próspero, livre e democrático?, Bush reconheceu que não apenas as políticas pró-mercado mas a própria democracia está hoje sob pressão em várias partes da região. ?Encontramo-nos num momento em que alguns estão questionando o caminho da prosperidade, alguns se perguntam se as reformas pró-mercado são penosas demais para continuar, alguns põem em questão a eqüidade de um comércio livre e aberto , acenando com o falso conforto do protecionismo?, disse ele, falando na sede da Organização dos Estados Americanos, na recepção de abertura de uma conferência de dois dias do World Affairs Council of America, dedicada aos temas da região. ?E há um perigo ainda maior de que alguns podem podem duvidar da própria democracia?. ?Diante dessas dúvidas, nossa resposta precisa ser clara e consistente?, afirmou Bush. ?As esperanças de nossos povos, das favelas do Rio e de Caracas aos trabalhadores migrantes da Califórnia, passando pelo aposentado em Buenos Aires, repousam numa maior liberdade: mercados mais livres e comércio aberto são as melhores armas contra a pobreza, a doença e a tirania; e a democracia é uma exigência não negociável da dignidade humana.? O presidente americano reconheceu, tacitamente, que parte do problema para uma maior abertura do comércio está nos próprios Estados Unidos, incluindo no discurso uma conclamação ao Senado para que complete o processo de aprovação da Autoridade de Promoção Comercial (TPA), ou ?fast track?. Trata-se do mandato que autoriza o executivo americano a negociar novos acordos comerciais. Uma versão severamente condicionada do TPA foi aprovada no início do mês passado pela Câmara de Representantes, por apenas um voto. Bush sabe que essa diferença é muito pequena para garantir a aprovação final da legislação, que terá que ser submetida a um novo voto nas duas casas do Congresso depois que forem conciliadas as diferenças entre os projetos da Câmara e o que será votado - não se sabe ainda quando - pelo Senado. Bush reiterou a posição exigente de seu governo sobre a Argentina. ?Estamos profundamente preocupados com as dificuldades que nossa aliada e amiga Argentina e seu grande povo enfrentam?, disse ele. ?Estamos confiantes de que a Argentina superará seus problemas e é um sinal encorajador que o presidente Duhalde, ao tomar posse, manifestou o desejo de buscar uma Alca?. Mas o líder americano disse que os EUA estão preparados para ajudar o país ?a enfrentar a tempestade?, sob condições. ?Uma vez que a Argentina se comprometa com um plano econômico sólido e sustentável, daremos nosso apoio através das instituições financeiras internacionais.? O presidente dos EUA mencionou o presidente Fernando Henrique Cardoso entre os líderes do continente aos quais os EUA são gratos pelas ofertas ?de ajuda, de sabedoria e de amizade? recebidas depois dos ataques de 11 de setembro. Ele disse que o futuro das Américas depende da determinação de honrar ?três compromissos inseparáveis ? a democracia e a liberdade política, a segurança e o desenvolvimento baseado no mercado?, que não podem ser alcançados ?com meias medidas? e devem ser buscados trilhando-se ?um caminho que não é fácil, mas é o único que levará a prosperidade e a estabilidade a todos os povos deste hemisfério?.

Agencia Estado,

16 Janeiro 2002 | 23h05

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