REUTERS/Denis Balibouse - 27/02/2020
REUTERS/Denis Balibouse - 27/02/2020

EUA buscam assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Secretário de Estado americano, Anthony Blinken, afirmou em videoconferência que o país vai pleitear uma representação no órgão, encerrando a 'política da cadeira vazia' da era Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 08h23

GENEBRA - Após anos encolhimento no cenário internacional, os Estados Unidos seguem fazendo acenos ao multilateralismo no começo da gestão de Joe Biden. Nesta quarta-feira, 24, o secretário de Estado do país, Anthony Blinken, revelou que o país vai buscar um assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH), o que pode marcar o fim da "política da cadeira vazia" dos anos Trump.

"Tenho o prazer de lhes anunciar que os Estados Unidos buscarão uma cadeira no Conselho de Direitos Humanos da ONU para o mandato 2022-2024. Pedimos humildemente o apoio de todos os membros da ONU em nosso desejo de ter um assento nesta instituição", disse Blinken durante uma videoconferência no Conselho.

Caso se confirme a volta do país ao CDH, encerra-se um período de pouco mais de dois anos de ausência da maior potência bélica e econômica mundial na principal organização de direitos humanos do mundo. Em junho de 2018, a administração de Donald Trump anunciou a saída da instituição com sede em Genebra acusando o Conselho de hipocrisia e perseguição a Israel. Logo após a saída, apenas EUA, Eritreia, Irã e Coreia do Norte não possuíam assentos no órgão.

"Neste ano, como nos anteriores, o conselho de direitos humanos aprovou cinco resoluções contra Israel, mas do que as aprovadas contra a Coreia do Norte, o Irã e Síria juntos. Esse foco desproporcional de hostilidade contra Israel é a prova clara de que a motivação do conselho é política, e não relacionada aos direitos humanos. Se o conselho vai atacar países que protegem direitos humanos, e proteger os que os violam, então os EUA não deveriam dar a ele nenhuma credibilidade", declarou Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU na época.

A retomada de interesse no CDH é mais um passo do governo Biden em direção ao sistema internacional - na campanha presidencial, o presidente prometeu recolocar os EUA como protagonista no cenário mundial. Apenas neste começo de gestão, Biden já desfez alguns atos isolacionistas de Trump, recolocando o país no Acordo de Paris e na Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Os Estados Unidos colocam a democracia e os direitos humanos no centro de sua política externa, porque são indispensáveis para a paz e a estabilidade", disse Blinken na videoconferência. "Este compromisso é firme e baseado em nossa própria experiência como uma democracia, imperfeita e muitas vezes abaixo de nossos próprios ideais, mas sempre buscando ser um país mais inclusivo, respeitoso e livre", disse, em um tom que contrasta com o de seu antecessor, Mike Pompeo, às vezes considerado arrogante./ AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.