EUA buscam diálogo com Caracas, diz analista

Em meio às incertezas na Venezuela, os EUA tentam reconstruir seus canais de comunicação com Caracas. No entanto, sem maiores ambições, segundo Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue, centro de estudos de Washington. A Casa Branca precisa ter o aval do governo venezuelano para enviar um embaixador a Caracas e não quer se envolver em batalhas internas, diz Hakim.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2013 | 02h03

"Muito aquém de tentar construir uma melhor relação com a Venezuela, os EUA querem apenas estabelecer comunicações com os próximos líderes do país. Nossa inteligência sobre os acontecimentos na Venezuela é limitada", afirmou Hakim, ao explicar o primeiro contato, por telefone, entre Roberta Jacobson, subsecretária de Estado para a região, com o vice-presidente Nicolás Maduro, em novembro.

Os EUA não têm alternativa senão deixar que o Brasil e outros países da região monitorem as práticas democráticas na Venezuela neste momento delicado, segundo Hakim, apesar da pouca confiança do governo de Barack Obama em Brasília nesse campo. O adiamento da posse do presidente Hugo Chávez foi considerado uma solução "razoável" em Washington.

No entanto, a incerteza sobre recuperação de Chávez, há mais de um mês em tratamento em Cuba, e a incógnita sobre sua sucessão preocupam. A retomada de canais de comunicação entre Washington e Caracas pode reabrir o diálogo em campos de interesse dos EUA, como energia, narcotráfico e comércio. A Venezuela é o quarto maior fornecedor de petróleo dos EUA, que dobrou suas exportações para os venezuelanos entre 1999 e 2011.

O retorno de Chávez ao poder, curiosamente, traria certa tranquilidade a Washington, porque a Casa Branca já está acostumada com o estilo do líder bolivariano. Uma eventual troca de poder, por sua vez, pode abrir uma disputa entre Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. Para Hakim, Maduro teria mais chances por ter sido escolhido por Chávez como herdeiro.

"É possível também que haja um golpe, se Chávez morrer, com a eventual tentativa de Maduro de assumir a presidência sem uma nova eleição. Mas não acho muito provável. Se ocorrer, a oposição deve reagir", disse Hakim.

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