Max Seddon / Reuters
Max Seddon / Reuters

EUA buscam medidas legais para prender Snowden, diz Obama

Estamos trabalhando com outros países para garantir o cumprimento da lei, disse o presidente

O Estado de S. Paulo,

24 de junho de 2013 | 15h28

WASHINGTON  - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira, 24, que o país está percorrendo todas as vias legais para prender o ex-técnico da CIA Edward Snowden, responsável pelo vazamento da existência de um programa secreto de monitoramento de telefonemas e redes sociais na internet.  "Estamos trabalhando com outros países para garantir o cumprimento da lei", disse o presidente.

Mais cedo, o porta-voz da Casa Branca Jay Carney criticou o governo chinês por ter permitido que Snowden deixasse o território de Hong Kong, onde estava desde que revelou ao jornal britânico The Guardian a existência do projeto Prism, conduzido pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês). "Foi uma escolha deliberada do governo chinês liberar um fugitivo com uma ordem de prisão em vigor", disse. "Isso indiscutivelmente tem um impacto negativo nas relações bilaterais.

O porta-voz da Casa Branca ainda contestou a versão de Pequim para a fuga de Snowden para Moscou, onde chegou no domingo. Segundo a chancelaria chinesa, a saída do ex-técnico da CIA foi uma decisão das autoridades migratórias de Hong Kong. "Não aceitamos (essa versão)", acrescentou. "Os chineses dão ênfase à construção de uma confiança mútua. Deram um passo atrás nesse sentido."

Na Índia, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse  que ficaria "muito decepcionado" se Hong Kong ou a Rússia tivessem informações prévias sobre os planos de Edward Snowden e permitissem que ele embarcasse num avião.

"Haverá, sem qualquer duvida, algum efeito e impacto no relacionamento" com os Estados Unidos se isso acontecer, disse Kerry, falando em Nova Délhi, onde está para uma visita de três dias

'Drible'. Esperava-se que Snowden deixasse Moscou na manhã de hoje em um avião rumo a Havana, em Cuba, de onde seguiria para o Equador. O voo da companhia russa Aeroflot, lotado de jornalistas, decolou no entanto sem a presença doe ex-técnico da CIA.

De Londres, onde está asilado na embaixada do Equador, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange disse que a fonte dos vazamentos está são e salvo, a caminho do Equador por meio de uma rota "segura" que inclui a Rússia e "outros países". Segundo oaivista australiano, o governo equatoriano concedeu a Snowden um salvo-conduto, documento que o permite viajar mesmo sem seu passaporte americano.

O WikiLeaks não participou diretamente dos vazamentos de Snowden - feitos diretamente ao Guardian -, mas ofereceu assistência para retirá-lo de Hong Kong. A ideia inicial do ex-técnico da CIA era refugiar-se na Islândia.

Equador. O ministro de Relações Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, disse nesta segunda-feira que o país está "analisando" o pedido de asilo de Edward Snowden. "Nós tomaremos uma decisão... Estamos analisando."

No final da manhã, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse por meio da sua conta no Twitter que o país está analisando o pedido de asilo e tomará a decisão com soberania. "Analisaremos o caso com responsabilidade", afirmou.

O Kremlin não tem conhecimento de qualquer contato entre Snowden e as autoridades russas, disse nesta segunda-feira o porta-voz do presidente da Rússia, Vladimir Putin. O porta-voz Dmitry Peskov recusou-se a comentar os pedidos do governo dos EUA à Rússia para extraditar Snowden. / AP, REUTERS e EFE

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