EUA caçam policial que atacou colegas

Agente demitido em 2008 matou três em 'guerra' à corporação declarada no Facebook

ADAM NAGOURNEY, IAN LOVETT, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2013 | 02h02

Um reservista da Marinha, demitido do Departamento da Polícia de Los Angeles em 2008, transformou-se em um assassino que adotou como alvo policiais e suas famílias, segundo fontes da polícia. Na quinta-feira, ele matou ao menos três pessoas, entre elas um veterano com 11 anos de serviço no Departamento de Polícia de Riverside - o que desencadeou uma caça ao criminoso por todo o sul da Califórnia.

A polícia estava alerta numa operação que pareceu inquietar mesmo uma parte do país acostumada com essas perseguições policiais. Equipes foram enviadas para proteger policiais uniformizados e suas famílias, grupos enormes de policiais criaram linhas de defesa fora da sede do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), uma verdadeira fortaleza. Policiais de motocicletas tiveram ordens para dar proteção aos carros de patrulha.

Em Torrance, duas mulheres que entregavam jornais foram feridas por disparos efetuados por policiais que confundiram a picape que elas conduziam com a do atirador, um Nissan cinza.

Quando anoiteceu, o Nissan cinza foi encontrado, destruído pelas chamas, na beira de uma estrada numa área coberta de neve, próxima de Big Bear, uma estação de esqui a cerca de 160 quilômetros do centro de Los Angeles.

O suspeito foi identificado como Christopher J. Dorner, de 33 anos, que trabalhou no Departamento de Polícia de 2005 a 2008. Dorner postou um comentário ameaçador em sua página no Facebook, que a polícia afirmou ser um manifesto, no qual ele se queixava de uma grave depressão e prometia matar policiais para vingar sua demissão, motivada por um relatório falso no qual ele acusava um colega de abuso contra uma pessoa.

Na nota, Dorner disse que tinha lutado para limpar seu nome no tribunal antes de recorrer à violência. O manifesto exalava ódio e ameaças explicitas, dando os nomes de dezenas de policiais que pretendia matar.

Queixas. Dorner apresentou queixas contra um Departamento de Polícia onde, segundo ele, racismo e corrupção eram corriqueiros, referindo-se a um capítulo da história da repartição que, na opinião de muitas pessoas, foi esquecido há muito tempo. As autoridades responderam estabelecendo um esquema especial de segurança para as pessoas mencionadas no manifesto e pediram à mídia que não divulgasse os seus nomes.

"Esgotei todos os recursos disponíveis para limpar meu nome. Lancei mão de todos os esforços legais nos Tribunais Superiores e no Tribunais de Apelação da Califórnia. Este é o último. O LAPD suprimiu a verdade e agora isso acarretou consequências mortíferas. Vou declarar uma guerra não convencional e assimétrica aos que usam o uniforme do LAPD, estejam em serviço ou não", disse Dorner no Facebook.

A polícia informou que Dorner viaja com várias armas. Na sua página no Facebook, Dorner postou um certificado do Departamento da Marinha atestando que ele concluiu um curso de treinamento para se tornar membro das forças antiterroristas no Centro das Forças de Segurança.

"Acredita-se que Dorner esteja armado e, portanto, seja extremamente perigoso", disse Charlie Beck, chefe do Departamento de Polícia de Los Angeles. "Ele sabe o que está fazendo; nós o treinamos. Ele também foi membro das Forças Armadas. Este caso preocupa muito e é alarmante, principalmente para os policiais envolvidos."

Dorner gabou-se da sua habilidade para matar. "Vocês sabem que eu sempre fui o melhor atirador, com a pontuação mais alta, um especialista que domina o uso do fuzil em todas as unidades em que estive", escreveu.

Sua fúria foi desencadeada com um duplo homicídio em Orange County, no domingo. Uma das vítimas, Monica Quan, de 28 anos, era a filha de um ex-capitão da polícia de Los Angeles que defendera Dorner no processo disciplinar contra ele.

Na quarta-feira, Dorner tentou sequestrar um barco em San Diego. Na manhã de quinta, os policiais destinados para a proteção de um policial mencionado por Dorner foram alertados por um civil a respeito de um homem parecido com o suspeito. Enquanto o seguiam, Dorner abriu fogo quando eles iam na sua direção - acertando um na cabeça - antes de fugir.

Ataque. Menos de uma hora mais tarde, o suspeito se aproximou de dois policiais em Riverside num carro de patrulha e atirou: matou um deles e feriu gravemente o outro.

Segundo o xerife John McMahon, cerca de 125 policiais foram destacados para realizar buscas de porta em porta na área à procura do suspeito, em busca de sinais de uma entrada forçada e para se certificar de que os moradores estavam ilesos.

As autoridades temiam que o homem fortemente armado ampliasse o leque dos seus alvos. "Isto não passa de uma vingança contra toda a polícia do sul da Califórnia, e nada mais", disse Beck.

Mais de dez departamentos de polícia do sul da Califórnia - de Riverside, ao leste de Los Angeles, até San Diego - foram convocados para as buscas. Em Orange County, agentes do FBI vigiaram uma casa onde, segundo vizinhos, morava a mãe de Dorner.

Eles informaram ter visto Dorner entrar e sair desde que regressara do serviço militar no Oriente Médio, em 2006. Todos afirmaram que ele era uma pessoa cordial e acessível.

Dorner foi demitido após ser acusado e considerado culpado de fazer falsas acusações contra seu oficial de treinamento. No seu manifesto, Dorner protestou contra os policiais envolvidos em sua audiência. "Vocês destruíram minha vida e meu nome. Agora o tempo se esgotou. Nunca tive a oportunidade de ter uma família, por isso estou acabando com a de vocês."

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