EUA cancelam retorno de 10 mil militares

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos adiou por tempo indeterminado o retorno aos EUA de duas brigadas da 3.ª Divisão de Infantaria do Exército, num total de mais de 10 mil homens, enviada ao Oriente Médio em setembro de 2002 como parte dos preparativos para a guerra ao Iraque. O adiamento, motivado pela crescente onda de ataques de iraquianos, causou forte descontentamento entre os militares, ansiosos por voltar para casa. Também irritou os iraquianos de Faluja (50 quilômetros ao sul de Bagdá), onde está essa divisão. "Nós nos enfurecemos quando vemos esses soldados passarem em seus blindados. Não há segurança aqui. Se eles ficam, vamos lutar contra eles com nossas armas", disse o morador Ahmed Abdel Razak. Apenas uma semana antes, o secretário americano de Defesa, Donald Rumsfeld, anunciara que as três brigadas da divisão regressariam em setembro. Altos funcionários do Pentágono disseram vagamente ontem que elas devem voltar ainda este ano. Mas se recusaram a definir a data. O Pentágono negou que a mudança de planos esteja relacionada à recusa da Índia de enviar ao Iraque uma divisão de 17 mil homens para integrar as forças de ocupação lideradas pelos EUA. Ontem, o chefe da administração americana em Bagdá, Paul Bremer, vinculou a permanência das tropas no país à democratização iraquiana, dizendo que só depois de aprovada a Constituição e realizadas eleições gerais "o trabalho da coalizão estará encerrado". Os 16.500 militares da 3.ª Divisão foram em setembro para o Golfo Pérsico, e 15 mil ainda estão na região. Essa unidade foi a ponta de lança na invasão do Iraque e a primeira força americana a chegar a Bagdá. Desde o ataque, em março, morreram 37 soldados da 3.ª Divisão. Ontem, soldados de outra unidade dos EUA mataram cinco iraquianos que tentaram emboscá-los a cem quilômetros de Bagdá. Atacados com granadas, bombas e metralhadoras, e odiados pela população de Faluja, onde estão baseados, os soldados da 3.ª Divisão expressaram amargura com o adiamento. "É uma surpresa", disse o sargento Josh Holt. "Tem sido muito duro. Tive de levar para casa um menino de 7 anos cujo pai morreu num confronto conosco. A família chorou muito. Tenho certeza que vão tentar vingar-se. Assim são as coisas aqui." O sargento Chris Grisham disse que por três vezes, em dois meses, lhes disseram que iriam regressar. "Não é um bom momento para fazerem um anúncio desses. Estamos totalmente desmotivados", lamentou.

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