Alaguri/AP
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EUA, cautelosos, condenam violência

Comunicado divulgado ontem pelo Departamento de Estado pede calma, mas evita emitir críticas mais duras ao regime de Kadafi

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os EUA condenaram ontem a reação violenta das forças de segurança líbias aos protestos pró-democracia, mas com o cuidado de não emitir nenhuma outra crítica ao regime de Muamar Kadafi. Em comunicado, o Departamento de Estado informou ter mantido contato com o ministro de Relações Exteriores, Musa Kusa, e outras autoridades da Líbia para expor "forte objeção ao uso de força letal contra manifestantes pacíficos".

A diplomacia americana apelou ao regime de Kadafi para cumprir seu compromisso de não reagir com violência a esses protestos e a submeter à Justiça todo policial ou militar que o desrespeitar. Embora estivesse em trabalho na Casa Branca ontem, feriado nacional do Dia do Presidente, o líder americano, Barack Obama, não emitiu nenhuma posição sobre a crise na Líbia.

"Os EUA estão seriamente preocupados com as perturbadoras notícias e imagens vindas da Líbia", diz a nota. "Nós reiteramos às autoridades líbias a importância dos direitos universais, incluindo a liberdade de expressão e de manifestação pacífica." Ativistas pró-democracia na Líbia querem dos EUA a assistência técnica e financeira para apoiar um novo regime democrático. Washington, entretanto, não emitiu nenhuma resposta.

Segundo Larry Korb, especialista em política externa americana, os EUA têm muito pouco a contribuir no caso da Líbia, ao contrário do Egito, por sua influência estratégica nula no país de Kadafi. "Não há nada a fazer. A situação na Líbia está fora do controle dos EUA", afirmou. "A queda de Kadafi certamente seria uma notícia boa para os EUA e todo o mundo."

A relação entre o regime de Kadafi e os EUA foi tensa desde o golpe de Estado de 1969. Nos primeiros anos, a Casa Branca proibiu exportações militares americanas para a Líbia e chamou de volta seu embaixador. Em 1981, fechou a missão líbia em Washington e expulsou seus diplomatas. Em 1988, o governo líbio apoiou o atentado contra o voo 103 da Pan Am, de Londres a Nova York. O avião caiu em Lockerbie, na Escócia, e matou 270 pessoas. As Nações Unidas impuseram sanções econômicas, que se acumularam às retaliações americanas. Nos anos 80, a Líbia desenvolveu programas de armas nucleares e de mísseis de longo alcance e comprou equipamentos militares da União Soviética.

A relação EUA-Líbia começou a ser retomada apenas em 2003, quando Kadafi decidiu desmontar ambos os programas, assinar o protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear e aderir à Organização para a Prevenção de Armas Químicas. Em 2009, ambos os países enviaram embaixadores para Washington e Trípoli e assinaram um acordo de cooperação na área de Defesa.

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