EUA cautelosos diante de ofensiva militar na Colômbia

Os EUA reagiram com cautela frente à ofensiva militar contra a guerrilha ordenada nesta quinta-feira pelo presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, que vem pedindo há meses que parte da ajuda americana contra as drogas seja desviada para a campanha antiguerrilheira. "Apoiamos o presidente Pastrana em tudo", disse um alto funcionário da administração, lembrando as manifestações nesse sentido que partiram nos últimos meses de altos membros do atual governo em Washington, incluindo o próprio presidente, George W. Bush. O informante, que falou sob a condição de manter o anonimato, disse que os EUA entendem que a decisão de Pastrana se deve ao "tremendo número de ataques e mortos" causado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). "Diante do fato de que capturaram ontem (quarta-feira) um avião e seqüestraram um senador, podemos entender a frustração do presidente Pastrana", acrescentou. Outras fontes disseram que o Departamento de Estado estava preparando uma declaração escrita sobre as operações militares colombianas contra a guerrilha. Na quarta-feira, o porta-voz Richard Boucher, indagado por um repórter sobre se os EUA oganizariam uma operação militar para resgatar cidadãos americanos seqüestrados pelas guerrilhas, disse que não queria falar sobre "circunstâncias hipotéticas".Pastrana e seus funcionários mais próximos vêm insistindo desde novembro em que a ajuda antidrogas fornecida pelos EUA à Colômbia através do Plano Colômbia seja desviada para a luta contra os guerrilheiros. O general Euclides Sánchez, segundo na hierarquia dos militares colombianos envolvidos na luta contra as FARC, disse que estava em marcha uma operação de grande escala, mas esclareceu que nela não havia participação alguma dos EUA. Steve Lucas, porta-voz do Comando Sul dos EUA, disse nesta quinta-feira que já há cerca de 250 militares americanos na Colômbia, além de 50 civis e outros 100 contratados para serviços militares. Tal cifra não inclui os empregados do Departamento de Estado e outros contratados para operações e manutenção dos aviões e helicópteros usados na erradicação das plantações de coca e papoula.O Congresso restringiu o número do contingente americano na Colômbia a 400 militares e 400 civis, e tem sido uma das principais fontes da oposição ao desvio da ajuda antidrogas para o campo guerrilheiro pleiteada pelo governo colombiano. "Estamos ainda operando sob as diretrizes atuais, que indicam que a ajuda à Colômbia está limitada à campanha antidrogas", disse Lucas. Sob o Plano Colômbia, os EUA proporcionam dezenas de helicópteros ao país sul-americano, entre os quais 14 Blackhawks e 33 UH-1N "Hueys", operados por um batalhão especializado contra as drogas. O treinamento foi dado pelos "boinas verdes" americanos.Bush pediu ao Congresso para o ano fiscal de 2003, que se inicia em 1º de outubro, uma dotação de US$ 98 milhões para dar treinamento, pela primeira vez, a um batalhão que proteja de sabotagens o oleoduto colombiano - um alvo importante dos grupos rebeldes.

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