EUA centram ataques nas forças talebans

Bombardeiros norte-americanos atacaram nesta quinta-feira, pelo quinto dia consecutivo, a capital afegã, Cabul, as cidades de Kandahar, quartel-general da milícia Taleban, Jalalabad e áreas no Interior onde identificaram guarnições militares, depósitos de armas e equipamentos. Participaram da incursão bombardeiros B-52 e B-1 vindos da base da Ilha de Diego García, no Oceano Índico, e jatos da Marinha estacionados em porta-aviões. Os EUA mudaram hoje o foco dos ataques. Em vez de baterias antiaéreas e pistas de pouco, passaram a concentrar-se nas tropas talebans. Infernal O primeiro bombardeio à luz do dia em Cabul, à tarde, causou pânico entre populares que faziam compras. Moradores definiram a ofensiva de como "infernal" . Ao cair da noite, começou nova onda de ataques. Em Kandahar, o bombardeio de um arsenal de munições provocou fortes explosões e fez com que aumentasse o êxodo de habitantes em direção à fronteira paquistanesa. O Taleban acusou os Estados Unidos de estarem visando os civis como alvo e alegou que mais de 300 pessoas foram mortas nas últimas 24 horas, incluindo dezenas de moradores do povoado de Kouram, a 35 quilômetros de Jalalabad. Segundo a Agência Islâmica Afegã (AIP) - com base no Paquistão e vinculada ao governo afegão -, Kouram foi destruído num bombardeio na quarta-feira à noite e cem pessoas podem ter morrido. Cinqüenta cadáveres teriam sido retirados dos escombros. O embaixador taleban no Paquistão, Abdul Salam Zaeef, afirmou que 15 das vítimas pereceram quando rezavam numa mesquita. Segundo o Taleban, também morreram 28 civis e mais de 20 ficaram feridos nos bombardeios de hoje a Jalalabad e Kandahar. Essas informações não foram confirmadas por fontes independentes. Até o momento, só a morte de uma menina, hoje, e de quatro funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira, estão confirmadas. Lamento O secretário de Defesa norte-americano, Donald H. Rumsfeld, rechaçou a acusação dos talebans de que os civis sejam alvo dos ataques. "Qualquer pessoa neste país sabe que os Estados Unidos não atacam civis", afirmou. Não há dúvida de que eu e qualquer envolvido lamenta perdas de vidas não intencionais", disse. Ele reconheceu, porém, que bombas guiadas por satélite "nem sempre funcionam perfeitamente". De acordo com Rumsfeld, os ataques norte-americanos têm como objetivo líderes do governo taleban e da Al-Qaeda (A Base), organização ligada a Osama bin Laden. "Eles representam uma parte significante" dos alvos que as bombas dos Estados Unidos estão atingindo, afirmou. Rumsfeld disse à imprensa que bombas de 2.273 quilos - as maiores do arsenal, conhecidas como arrasa-bunkers - foram usadas na quarta-feira para atingir cavernas onde militantes islâmicos se refugiam, bem como esconderijos subterrâneos do Taleban. Ele admitiu que os ataques anglo-britânicos ainda não destruíram a defesa antiaérea taleban e os aviões norte-americanos enfrentam a ameaça de mísseis Stinger e outras armas. Pavor Os habitantes de Cabul estão apavorados com as explosões provocadas por bombas e mísseis e o ruído das baterias antiaéreas. O impacto é sentido em toda a cidade e a população passa a noite acordada. Os bombardeios ao Afeganistão, em represália aos atentados que causaram a morte de mais de 5.500 pessoas em Washington e Nova York, alimentam uma onda de revolta entre os muçulmanos do mundo todo, do Oriente Médio até a Indonésia. No entanto, poucas nações islâmicas condenaram os bombardeios. Os 56 países da Organização da Conferência Islâmica, reunidos quinta-feira no Catar, não condenaram a Operação Liberdade Duradoura. Nesta quinta-feira, moradores que fugiram da cidade de Kandahar disseram que os dois parentes mortos na casa do líder do Taleban, mulá Mohammed Omar, são seu filho de 10 anos e seu padrasto. Leia o especial

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 19h40

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